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ONG BUSCA DONOS PARA ANIMAIS ABANDONADOS
VIVIAN DUTRA
Gapa busca melhores condições de vida para os animais abandonados e visa uma conscientização com relação aos maus-tratos sofridos.
CERCA DE DEZ ANIMAIS, ENTRE CÃES E GATOS, SÃO ADOTADOS A CADA FEIRA.
O público que passar hoje 23/04 pela Feirinha de Itaipava terá um atrativo diferente do que costuma encontrar no local. A partir das 11h, o Grupo de Assistência e Proteção aos Animais Itaipava (Gapa) organizará uma feira de cães e gatos. O objetivo, além de divulgar o trabalho feito pelo grupo, é de conseguir novos lares para os animais, que antes de serem acolhidos pelos voluntários do grupo viviam abandonados pelas ruas do distrito. No último evento, realizado no Parque Municipal, os organizadores registraram oito adoções. O grupo foi fundado em 1999 e desde então vem lutando por melhores condições de vida para os animais que são abandonados nas ruas dos distritos. A idéia de formar a ong, que está em processo final de formalização, surgiu quando Carlos Eduardo Pereira, coordenador de atividades do Gapa, acolheu um cachorro e se sensibilizou com as dificuldades de sobrevivência que os animais de rua passavam. Com o tempo, outras pessoas se juntaram ao projeto e atualmente o grupo é composto por 20 voluntários. Ao todo, estão sob os cuidados temporários do Gapa cerca de 70 animais, entre cães e gatos. No começo, os animais eram recolhidos e levados para as clínicas veterinárias dos distritos até que conseguissem um novo dono. Com o aumento de número de animais, os voluntários passaram a abrigá-los em suas próprias residências, de acordo com a capacidade de cada um. Os novos hóspedes recebem todos os cuidados necessários, com alimentação adequada, medicamentos e castração. Depois de todo o processo de reabilitação do animal, este passa por um período de reconhecimento pelos voluntários que vai analisar todo o perfil do cão ou gato, e somente depois são levados para as feiras na busca de novos donos. "O nosso trabalho se diferencia dos abrigos de animais, nós os tiramos das ruas e buscamos novos lares para eles", disse Carlos Eduardo. De acordo com o coordenador, os abrigos acabam se transformando em grandes depósitos, dificultando as oportunidades de adoção: "Queremos fugir desse círculo vicioso onde as pessoas podem se sentir estimuladas a abandonar seus animais, sabendo que o abrigo irá cuidar dele". Os cuidados são tomados até mesmo na hora de entregar o animal para as pessoas interessadas. Antes de efetuar a adoção é estudado o perfil da pessoa que está interessada pelo cão, para então encontrar um animal que vá se adaptar ao estilo de vida do novo dono. A pessoa que efetua a adoção assina um termo de responsabilidade com a ong e durante seis meses será acompanhada por um dos voluntários. Se comprovado que o animal está sendo bem tratado e que se adaptou ao novo lar, a adoção é efetivada, caso contrário o cão ou gato retorna aos cuidados do Gapa até encontrar um dono adequado. "É essencial que a adoção seja perfeita, queremos tirar os animais da rua e deixá-los em boas condições", ressaltou Carlos Eduardo. O trabalho da ong também visa à conscientização da população a respeito dos principais cuidados que se devem ter com os animais. O controle da natalidade é visto por Carlos Eduardo como principal ponto a ser tratado: "Se não diminuir o número de animais nas ruas, não haverá feira de doação que dê conta". O coordenador ressalta que, diferente de outras instituições, as fêmeas são as preferidas para a castração e não os machos, pois são elas que mais sofrem no período do cio e de gestação dos filhotes. O maior benefício é que depois da cirurgia as cadelas estão livres dos riscos de infecção no útero, que atinge em média 60% das fêmeas. "Assim a cadela não terá a perturbação na época do cio e se torna mais guardiã", disse. A preocupação do Gapa não é apenas com os cães e gatos abandonados nas ruas, mas também com qualquer tipo de maus-tratos que um animal possa sofrer. Às vésperas da Exposição Agropecuária, que começa na próxima semana no Parque Municipal, em Itaipava, o que chamou a atenção da ong foi o aumento da programação dos rodeios durante o evento, sendo que esta é uma prática em que ficam explícitas as torturas com os animais que participam. "Fizemos uma solicitação para o vice-prefeito Henrique Manzani, para que se limitem as provas mais dolorosas para os animais", apelou. Carlos Eduardo ressalta que Henrique Manzani, quando vereador, apresentou boas propostas de proteção aos animais, o que lhe rendeu até um diploma de "Amigo dos Animais". Com isto, o Gapa espera que suas solicitações sejam atendidas. As feiras do grupo são realizadas duas vezes ao mês, no primeiro sábado, no estacionamento do supermercado ABC e no terceiro sábado, no Parque Municipal.
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