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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Jornal ZERO HORA

Porto Alegre, 08 de abril de 2005. Edição nº 14472

Ambiente
Massacre de cão em Pelotas revolta população
Cadela foi amarrada em pára-choque de carro e arrastada até a morte pelas ruas na madrugada de quarta-feira

CAROLINE TORMA

Os pelotenses ainda tentam encontrar uma explicação para uma cena chocante ocorrida na madrugada de quarta-feira, no centro da cidade. Uma cadela de rua foi amarrada por jovens no pára-choque de um veículo e arrastada por mais de cinco quadras. Pedaços do animal e dos filhotes que nasceriam em um mês ficaram espalhados pelo asfalto.

Preta era o xodó da vizinhança. Recebia comida, carinho e tratamento de saúde. Quando nascessem, seus filhos já tinham endereço certo. Michele Silva, 29 anos, que cuidava da cadela há mais de um ano, estava se preparando para recebê-la em casa depois do parto e havia conseguido donos para a ninhada.

- Ela era toda preta com uma mancha branca no pescoço. Era uma pastor belga misturada. Muito dócil - relembra Michele, proprietária de uma pet shop localizada nas proximidades do local onde a cadela foi morta.

Em mãos, ela tem uma lista com mais de 15 nomes de pessoas que ajudavam o animal. Durante o dia, a cachorra recebia comida dos moradores e de estudantes de Odontologia, cuja faculdade se localiza próximo ao lugar onde Preta vivia. À noite, ela se instalava junto à churrasqueira de um bar. Lá, tinha o privilégio de ter carne assada somente para ela.

- Era nossa amiga. Não dávamos restos. Tirávamos o churrasco do espeto mesmo - revela um morador que prefere não se identificar por medo de retaliações.

A madrugada de quarta-feira já começava quando um grupo de jovens bebia no bar onde Preta costumava passar as noites. Por diversão, eles amarraram a cadela em um poste.

- Meu irmão chegou e pediu que eles a desamarrassem porque era mansa e não machucava ninguém. Ficaram todos rindo. Isso foi lá pelas 3h - lembra um morador que estava no bar.

Suposto envolvido já teria sido identificado

Michele e alguns amigos, que estavam em outra mesa do bar, escutaram os gritos de Preta de longe. Acharam que a cadela havia sido atropelada. De repente, viram os rapazes em dois veículos, e a amiga peluda sendo arrastada por uma corda pela rua.

- Eles andaram com ela por mais de cinco quadras. Corremos para pegar o carro e saímos atrás. De nada adiantou nossos prantos. Eram jovens, de boa aparência. Para mim, isso é coisa de gente que não tem coração - diz Michele.

Os moradores próximos que costumavam ajudar Preta estão revoltados com a violência contra o animal. A foto da cadela ainda está no mural do bar onde ela costumava se abrigar.

A polícia abriu inquérito para investigar a queixa de crueldade contra a cachorra. Segundo o delegado Osmar Silveira dos Anjos, três pessoas já haviam sido ouvidas ontem. Um dos supostos envolvidos, de 21 anos, já teria sido identificado. A polícia deverá ouvir ainda outras testemunhas do fato. As investigações deverão apontar de que forma os responsáveis poderão ser punidos.

( caroline.torma@zerohora.com.br )

O que diz a lei
Artigo 2º do Código Estadual de Proteção aos Animais:
''É vedado ofender ou agredir fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de experiência capaz de causar sofrimento ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis de existência.''
Art. 25
As penalidades e multas referentes às infrações definidas nesta Lei serão estabelecidas pelo Poder Executivo, em espécie.
Art. 26
O Poder Executivo definirá o órgão estadual encarregado de fiscalizar o cumprimento das disposições desta Lei.
Inciso sétimo do artigo 225 da Constituição Federal:
"Incumbe ao poder público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade''.

Emails e Telefones:

Prefeitura de Pelotas : fala@pelotas.com.br

Ministério Público de Pelotas: mppelotas@mp.rs.gov.br

Delegacia de Polícia de Pelotas - 4ª RP
Endereço: Praça Piratinino de Almeida, 17
Telefone: (53) 225 68 88

CRPO/SUL - CRPO
Av. Bento Gonçalves, 3.036
Telefone: (53)278 22 78 ou (51)278 21 22
crposul@csj.com.br

Contato com Beto Moesch ( SMAM de Porto Alegre) : smam@smam.prefpoa.com.br (organizador do forum de animais em POA e ativista em defesa dos animais)

Divulguem, por favor, o e-mail e o celular do Vereador Adeli Sell que está a frente desta briga:
adelisell@camarapoa.rs.gov.br
51 9933-5309

Mostrem a sua indignação pelo fato, direto com quem pode fazer e por favor mandem uma cópia pra mim que eu vou fazer por outro lado.
sandrameneghettisader@brturbo.com.br

Petição em protesto - Cadela morta com crueldade em 6/4/2005 - Pelotas/RS

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