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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Associação flagra maus-tratos a animais durante Rodeio


Fotografias que comprovam descumprimento de lei federal serão anexadas à Ação Civil Pública


Da Reportagem Local - 19/04/2005

Animais machucados com bastões pontiagudos e esporas, instigados com aparelhos de choque e submetidos a torções, fortes golpes e laçadas no pescoço e nas pernas.
Tudo isso foi flagrado e fotografado nas noites de sexta-feira e sábado, durante o Catanduva Rodeo Festival, por advogados membros da Associação para o Meio Ambiente e Defesa dos Animais ‘ Anjos da Natureza’ (AMA).

As fotos foram tiradas em locais acessíveis ao público, já que a fiscalização da AMA, mesmo autorizada pelo Ministério Público conforme disse o promotor José Américo Ceron em matéria de O Regional, edição de sábado (16), não foi permitida pelos coordenadores da provas, que estavam próximos aos animais.

Os advogados afirmam que a ação foi impetrada depois que a comissão organizadora do evento se negou a fornecer credenciais. “Disseram que nós queríamos acabar com o rodeio e que não queríamos expor os animais ao barulho, o que não é verdade. Queríamos a extinção de duas provas cruéis: o bulldogging e o team roping”, afirma a segunda-secretária da AMA, Roseni Mathias. “Foi exatamente nessas duas provas que a crueldade aconteceu”, completa Davis Gláucio Quinelato, vice-presidente da entidade.

Os ativistas alegam que foram impedidos de entrarem nos bretes e que foram ameaçados quando tiravam fotos. “Eles faziam sinal para que fôssemos até lá, para brigar, e um deles fez um sinal de revólver com uma das mãos e apontou para mim. Durante essa demonstração de crueldade, a arquibancada chegou a vaiar”, declara Quinelato.

O material fotográfico será anexado à Ação Civil e encaminhado também a associações de proteção aos animais e ao promotor titular de Meio Ambiente de Catanduva, José Carlos Rodrigues.

Em resposta à petição da AMA, anterior à realização do rodeio, o promotor José Américo Ceron afirmou que os atos de crueldade praticados contra os animais, se acontecessem, seriam punidos. “Durante todos os dias do rodeio, falaram que os animais não eram maltratados e que os ambientalistas só queriam aparecer. Agora que temos provas do contrário, queremos que sejam tomadas providências”, ressalta Roseni.

Segundo ela, o evento contou apenas com a presença das polícias Civil e Militar. “Procuramos a Polícia Ambiental, mas não encontramos ninguém. E no momento da agressão não havia no local nenhuma autoridade competente, nenhum fiscal do Ministério Público e nenhum veterinário responsável”, informa o presidente da AMA, Antônio José Trassi.

Foi elaborado um boletim de ocorrência para apurar a denúncia de ameaça e os acusados deverão ser identificados pela comissão organizadora e investigados pela polícia.

De acordo com os advogados, os objetos cortantes, utilizados para tornar os animais mais agressivos, foram escondidos assim que os responsáveis perceberam que estavam sendo fotografados. “Entretanto, os maus-tratos continuaram no dia seguinte. Flagramos também o uso de aparelho de choque e esporas pontiagudas, proibidas por Lei Federal”, destaca Trassi.

A Lei Federal N.º 10.519, de 17 de julho de 2002, estabelece que “os apetrechos técnicos utilizados nas montarias, bem como as características do arreamento, não poderão causar injúrias ou ferimentos aos animais” e proíbe o uso de esporas com rosetas pontiagudas ou qualquer instrumento causador de ferimentos, incluindo os que provocam choques elétricos. Em vez das cordas utilizadas no rodeio, a legislação determina que sejam utilizadas cintas em lã natural.

Quinelato informa ainda que a entidade pretende lutar para que o exame anti-doping também seja adotado nas provas de rodeio.

A Polícia Ambiental confirma que não foi solicitada nenhuma viatura para acompanhar o rodeio e acrescenta que outras explicações poderiam ser fornecidas apenas pelo tenente da corporação, que estava em São José do Rio Preto.

O presidente da comissão organizadora do Catanduva Rodeo Festival, Roberto Jorge, garante que não presenciou nenhum tipo de agressão aos animais. “Quem cuida dos animais são os tropeiros. Eu duvido que um tropeiro seja capaz de maltratar um animal que é o instrumento de trabalho dele”, explica.

Jorge comenta ainda que antes das provas os animais foram apresentados ao público. “Todos puderam conferir a saúde dos bois. São animais de 600, 700 quilos que não têm uma marca de espora ou de chicote”.

Quanto às fotos apresentadas pela AMA, o presidente da comissão organizadora do evento afirma que é preciso ter provas de que foram tiradas em Catanduva. “Não sei dizer se essas fotos são daqui mesmo. Isso precisa ser provado”, afirma Jorge. Em uma das fotografias feita pelos membros da AMA, aparece nitidamente o símbolo do Catanduva Rodeo Festival estampando na camisa de um homem. Ele aparece utilizando ainda uma espora de metal pontiaguda em sua bota.

“Envolvidos serão punidos”, garante promotor
De acordo com o promotor José Américo Ceron, a AMA deve encaminhar as provas ao Ministério Público, que tomará providências. “Faremos uma análise das provas e as pessoas envolvidas serão punidas”, garante o promotor.

Ceron afirma que a lei penal determina que todos que proporcionaram espaço para os maus-tratos sejam julgados, inclusive os organizadores. Caso sejam condenados, os envolvidos podem até mesmo ser presos. “Claro que a pena de prisão varia com o grau de participação no ato”, esclarece Ceron.

Os maus-tratos contra os animais registrados no último final de semana foram os primeiro flagrados em Catanduva desde a primeira edição do evento, que antes recebia o nome de Festa do Peão de Catanduva.


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