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27/09/2005
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
Morreu por volta do meio-dia desta terça-feira a chimpanzé Suíça,
que vivia no Jardim Zoológico de Salvador (BA). Há nove dias, o
Ministério Público Estadual moveu um pedido de habeas corpus para
que ela fosse transferida, mas o mérito sequer foi julgado.
Suíça estava acima do peso e seguia uma dieta restrita, mas se
alimentou normalmente pela manhã, segundo a Secretaria Estadual do
Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Ela precisou ser socorrida
pouco depois, quando um funcionário percebeu que a chimpanzé
passava mal.
Seu corpo foi submetido a uma necropsia à tarde, no laboratório do
hospital de medicina veterinária da UFBA (Universidade Federal da
Bahia). O laudo com as causas da morte sairá em até 15 dias.
Promotoria
O habeas corpus que defendia a transferência de Suíça para
Sorocaba (100 km de São Paulo) foi movido no último dia 19. "Foi
uma morte anunciada", afirmou o promotor do Meio Ambiente Heron
Santana, um dos autores da proposta. Ele acusa o zoológico de
inadequação às normas.
"Quando aprisionados, [os chimpanzés] passam a viver em constante
situação de estresse, que geralmente os leva a disfunções do
instinto sexual, mutilações e a viver em um mundo imaginário,
semelhante a um autista", descreve o pedido de habeas corpus.
Dois dias depois, o juiz Edmundo Lúcio da Cruz, da 9ª Vara
Criminal da capital baiana, recusou a liminar --que garantia a
remoção imediata-- e pediu explicações à direção do zoológico. O
prazo para a apresentação da defesa foi prorrogado até a próxima
quinta (29) e Suíça morreu antes que o mérito fosse julgado.
Governo
Thelmo Gavazza, diretor do Departamento de Biodiversidade da
secretaria, refuta as acusações e afirma que a defesa só não foi
apresentada a tempo por "falta de fundamentação precedente". Ele
classificou o habeas corpus de "inusitado".
"O zoológico cumpre com todas as normas do Ibama [Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis] no
sentido não só do espaço físico, mas quanto aos biólogos,
veterinários e nutricionistas."
Ele diz que o zoológico foi recentemente submetido a uma vistoria
do Ibama e obteve "elogios pelo trabalho".
Uma das alegações presentes no pedido de habeas corpus ressalta
que o espaço em que Suíça vivia, com área total de 77,56 m2, não
era suficiente. Gavazza discorda, mas admite a existência de um
projeto de ampliação --aprovado, inclusive, pela própria 2ª
Promotoria do Meio Ambiente.
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Grupo protesta em
São Paulo contra maus-tratos a animais
da Folha Online
29/09/2005
Cerca de 20 pessoas ligadas a entidades de defesa dos direitos dos
animais realizaram um protesto na manhã desta quinta-feira em
frente ao Consulado Geral da Austrália, nos Jardins (zona sul de
São Paulo). O grupo cobra que o governo australiano estabeleça
leis que impeçam o procedimento conhecido como "mulesing", adotado
pelos criadores de ovelhas do país.
"Nesse processo, os criadores arrancam a pele da parte traseira
dos animais sem nenhum tipo de anestesia", afirma George
Guimarães, representante da Peta (People for the Ethical Treatment
of Animals) no Brasil.
De acordo com o ativista, o procedimento é adotado para que se
forme uma cicatriz no local do corte, impedindo o crescimento da
lã e a proliferação de pragas. "Existem remédios que podem dar
conta deste problema sem esses cortes", afirma.
O grupo pretendia ser recebido pelo cônsul, mas não foi. A
reportagem não conseguiu entrar em contato com o consulado.
Manifestações semelhantes estavam marcadas para várias cidades do
mundo, também nesta quinta.
Veja fotos da primeira manifestação ocorrida
em 18/07/2005
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