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17 Jan 2006
RIO DE JANEIRO (Reuters) -
Depois de provocar tumulto no trânsito do Rio de Janeiro na manhã
desta terça-feira, um cachorro vira-lata se jogou de um viaduto de
aproximadamente 10 metros de altura e morreu, disseram
testemunhas.
O animal foi visto inicialmente esta manhã no túnel Rebouças,
causando surpresa entre os motoristas que passavam pelo local. O
mesmo cachorro também já havia estado no túnel na segunda-feira.
"Já vi de tudo no túnel, tiroteio, apagão, engarrafamento, mas
cachorro foi a primeira vez", disse o motorista Édson Filho.
O cachorro atravessou o Rebouças e foi parar no elevado Paulo de
Frontin, na zona norte da cidade. Equipes do departamento de
trânsito da Sociedade Protetora dos Animais tentaram capturar o
animal.
Alguns motoristas tiveram que reduzir a velocidade enquanto o
animal estava no viaduto, e um motociclista chegou a parar para
tentar auxiliar na captura, o que gerou engarrafamentos na região.
Assustado, o cão se jogou do elevado e caiu na calçada muito
machucado. Minutos após a queda, o animal morreu na presença de
vários curiosos que tentaram entender o que havia acontecido.
"Estava passando indo para o trabalho e não entendi nada. O cão
voou e quase acertou um motoqueiro que passava por aqui", disse o
faxineiro Hermes da Silva.
AQUECIMENTO GLOBAL JÁ SERIA IRREVERSÍVEL, DIZ CIENTISTA
O Globo - 17/01/2006
Teoria do britânico James Lovelock sustenta que bilhões morrerão
antes do fim deste século
LONDRES.
As mudanças climáticas já alcançaram um ponto irreversível ao qual
a nossa civilização dificilmente sobreviverá. A previsão é do
cientista James Lovelock, guru do movimento verde e autor da
teoria de Gaia, segundo a qual a Terra é um organismo vivo, capaz
de se regular automaticamente para garantir as condições de vida
no planeta.
Numa nova hipótese, profundamente pessimista, Lovelock afirma que
os esforços para conter o aquecimento global não serão eficazes e
que, além disso, já é muito tarde para reverter as mudanças. Para
o cientista, o mundo e a Humanidade estão diante de um desastre de
proporções muito maiores do que as imaginadas, que acontecerá em
bem menos tempo do que o previsto.
“Antes do fim do século, bilhões de pessoas morrerão e os seres
humanos que sobrarem estarão no Ártico, onde o clima permanecerá
tolerável”, escreveu Lovelock em artigo publicado no jornal
britânico “Independent”.
Ao fazer tal análise, de longe a mais sombria já elaborada por um
cientista de renome internacional, Lovelock admite estar assumindo
uma posição arriscada. Mas, como o primeiro homem a conceber uma
nova e integrada forma de olhar para o planeta desde Charles
Darwin e, com base em suas próprias teorias, ele acredita que não
lhe resta mais outra escolha.
Segundo ele, é justamente o mecanismo de auto-regulação de Gaia —
cada dia mais aceito pela comunidade científica — que
potencializará os efeitos do aquecimento.
Isso porque, para responder ao aquecimento, os diversos mecanismos
terrestres vêm atuando para manter a Terra muito mais fria do que
ela realmente é. Agora, no entanto, se reuniriam para amplificar o
aquecimento que vem sendo causado pelas atividades humanas e suas
volumosas emissões de CO2. E, segundo o cientista, isso tenderia a
ocorrer de forma acelerada e incontrolável. Lovelock chamou o
fenômeno de “A vingança de Gaia”, título de seu novo livro a ser
lançado no mês que vem.
“Devemos nos preparar
para o pior”, diz cientista
Segundo suas contas, as temperaturas na Europa, por exemplo, devem
subir até oito graus Celsius. Ao longo dos próximos anos, a
agricultura se tornará inviável e o aumento do nível do mar
produzirá milhões de refugiados. “Acho que temos poucas opções
além de nos prepararmos para o pior”, sustenta, no livro.
Por isso, afirma, os governos deveriam começar a se preparar para
sobreviver ao inevitável, poupando energia, fazendo reservas de
alimentos e elaborando estratégias contra a elevação do nível do
mar. Sua visão de um mundo atingido pelo aquecimento é das mais
assustadoras: “Uma multidão sem rumo”.
Em seu novo livro, Lovelock chega a sugerir a elaboração de um
“guia para os sobreviventes do aquecimento global”, que reuniria o
conhecimento científico básico acumulado pela Humanidade. |
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