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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Estudo europeu denuncia maus tratos a animais nos circos

 

Muitos deles são espécies protegidas


22.12.2005 - Lusa

Os animais que atuam nos circos existentes na União Européia (UE), muitos deles pertencentes a espécies protegidas, vivem em sofrimento e são freqüentemente alvo de maus tratos, denuncia um estudo do Eurogrupo para o Bem-Estar Animal.

O relatório "Animais em circos: legislação e controlo na União Européia", elaborado por Leonor Galhardo, consultora do Eurogrupo, identificou 50 espécies de animais selvagens mantidos em circos, entre eles elefantes, chimpanzés e vários felinos.

França (400 circos), Alemanha (300) e Itália (140) são os países com maior número de circos e igualmente os que têm maior número de animais: entre 500 e mil cada. Portugal tem 20 circos e é freqüentemente visitado por pelo menos dois circos espanhóis.

Nos países com maior número de circos, como a Alemanha, regista-se uma elevada proporção destes espetáculos, que são pequenos e pobres. Em Portugal - como na Áustria, na Lituânia e em Espanha - os circos são pequenos e pobres ou muito pobres e utilizam, atualmente, entre cem e 500 animais.

De uma forma geral, os países comunitários têm uma opinião muito negativa sobre as condições dos seus circos, nomeadamente a nível dos alojamentos, transporte, cuidados, treino dos animais, o seu comportamento e aparência.

Estes países consideram que o alojamento dos animais é pequeno e inadequado, que o transporte tem problemas a nível da temperatura e da ventilação e que os cuidados prestados aos animais não são apropriados, como o fornecimento de comida e água de uma forma irregular. O treino dos animais tem procedimentos que não são transparentes e evidencia técnicas muito "stressantes", tendo sido reportados casos de agressão e o uso de instrumentos cruéis.

O destino dos animais de circo quando já não são usados nos espetáculos é muito variado, passando por centros de recuperação ou zoológicos. Em Portugal, um dos destinos encontrados para alguns tigres foi o Badoca Park, no Alentejo.

Estudo conclui ausência de legislação para animais de circo

Leonor Galhardo, bióloga e mestre em bem-estar e comportamento animal, concluiu que não existem leis específicas de proteção dos animais de circo nos Estados membros.

Em Portugal existe uma lei geral de proteção dos animais (1995), que não tem cláusulas específicas para os animais nos circos. Existem ainda outras leis (de 2001 e 2003) que abordam a temática dos animais nos circos, mas com "vários problemas de aplicação".

Para Leonor Galhardo, os circos são naturalmente incapazes de satisfazer as necessidades dos animais selvagens. "A vida num circo é completamente incompatível com as necessidades dos elefantes, ursos pardos e polares, primatas, grandes felinos, entre outros". Além disso, os inspetores não estão devidamente preparados para verificar as condições de bem-estar dos animais nos circos.

Perante este cenário, o Eurogrupo para o Bem-Estar Animal recomenda o fim do uso de animais nos circos de uma forma faseada e que um primeiro passo nesse sentido deve ser a proibição de animais selvagens nestes espetáculos.

"O único caminho possível para alcançar a proteção de animais selvagens em circos é seguir os passos já dados por alguns países que aboliram a sua utilização nos circos", defende o relatório.

A investigadora defende que "o espetáculo continue, mas sem animais", pois considera que "o espetáculo mais ético de todos é o que não usa animais para atrair o público".

Para Leonor Galhardo, cabe ao Governo encontrar uma solução. "Se o Governo quer cumprir a legislação, tem de encontrar condições e um destino para os animais confiscados".

A bióloga defende os "circos do futuro", que não utilizam animais e apresentam uma elevada qualidade artística.


fonte: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1242632&idCanal=10

 

 

 ONG ecológica pede aos russos "ceia de Ano Novo sem caviar"

 

22/12/2005

MOSCOU, 22 dez (AFP) -
A organização ambientalista WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza) lançou nesta quinta-feira, na Rússia, uma campanha intitulada "Uma ceia de Ano Novo sem caviar negro", pedindo aos russos que se abstenham de consumir os valiosos ovos de esturjão, produtos de uma crescente pesca ilegal.
"Para salvar os esturjões do Mar Cáspio da bárbara exterminação causada pelos pescadores clandestinos, o WWF pede aos russos que não comam caviar no Ano Novo", pediu Alexei Vaisman, encarregado da ONG, em entrevista coletiva celebrada em Moscou.
Atualmente, segundo as avaliações da organização, criada há 40 anos, a pesca ilegal do esturjão representa um volume de pelo menos 12 vezes o da pesca legal, lembrou Vaisman.
Em 15 anos, a população de esturjões no Mar Cáspio caiu gravemente e está dividida por 40, segundo o WWF. A proliferação da pesca ilegal se explica, após a queda da União Soviética, pelas dificuldades econômicas na região.
Grande parte das vendas de caviar russo - cerca de 1.200 toneladas por ano - é feita de forma ilegal. Deste volume, apenas 10 toneladas são vendidas em circuitos legais, reconheceu recentemente o ministro russo da Agricultura, Alexander Gordeyev.
"O caviar é um símbolo da Rússia, como a balalaica, a matriochka, a vodca e o Kalachnikov, mas é um símbolo que corre o risco de desaparecer para sempre", advertiu Alexei Vaisman.
O encarregado do WWF atacou o Estado russo, que para ele "não faz nada para por ordem" e acusou os funcionários de "aceitarem suborno dos pescadores clandestinos" e de fazer parte de uma "máfia do caviar", muito disseminada.
No entanto, no início de dezembro, o ministro russo da Agricultura defendeu a idéia de impor um monopólio de Estado na comercialização do esturjão e de seus ovos, o caviar, para proteger esta espécie ameaçada.
"É indispensável que se adote sem demora uma lei sobre a comercialização do esturjão e do caviar (...) e impor um monopólio do Estado", disse o ministro.
O WWF abriu nesta quinta-feira o site na internet www.wwf.ru/bezikry ("sem caviar"), explicando ao público o problema e convocando-o a boicotar seu consumo.
Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, o esturjão é uma espécie protegida, ameaçada de extinção.
Noventa por cento do caviar mundial procedem do Mar Cáspio, embora o Irã seja o país que fornece a imensa maioria da produção.

 
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