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A Secretaria Municipal
da Cultura, com a concordância da Secretaria Municipal do Verde e do
Meio Ambiente, resolveu construir no Parque do Ibirapuera, na área
do Viveiro Manequinho Lopes, aproveitando o esqueleto de uma antiga
Serraria, o PAVILHÃO KRAJCBERG, para receber 40 obras doadas por
este famoso artista plástico que usa restos de madeira calcinada por
queimadas para criar suas obras. A iniciativa pode ter imenso valor
cultural para a cidade, mas o local escolhido pode trazer
irreversíveis prejuízos para a rica fauna local, sobretudo aves,
muitas delas de espécies altamente ameaçadas de extinção.
A área, com entrada pela Avenida República do Líbano, é considerada
um oásis de tranqüilidade. Com jardins projetados por Burle Marx, o
local é procurado para meditação, contemplação, atividades físicas
para a terceira idade e outros usos pacíficos e calmos que em geral
não geram barulho nem excesso de freqüência. Por isso, constitui-se
em um lugar privilegiado para os animais silvestres em vida livre no
Parque, sobretudo aves, que buscam a área para se alimentarem,
fazerem ninhos, cuidarem de seus filhotes e para pernoitarem.
A instalação do Pavilhão Krajcberg aumentará a visitação e
modificará o tipo de usuário que busca a área, gerando mais
movimentação e barulho, em prejuízo da fauna. Pior: o pavilhão a ser
construído na Serraria será fechado por vidros (séria ameaça à
avifauna).
O mais grave é que faz parte do projeto uma “instalação” que vem
sendo chamada de ”zona de imersão”, onde os visitantes ficarão em
contato com sons de crepitação do fogo e odores de mata e madeira
queimada. A idéia é que as pessoas tenham a sensação de estarem nas
proximidades de uma floresta em chamas. Esta novidade, anunciada com
imenso entusiasmo pelo Secretário da Cultura, talvez seja um dos
maiores absurdos do projeto, diante da localização pretendida.
Até o momento, não está claro se a “zona de imersão” será instalada
do lado de fora do pavilhão ou em seu interior, mas mesmo que fique
dentro do Pavilhão, certamente sons e odores vazarão, espantando a
avifauna e até levando aves a óbito, pois muitas voarão em desespe
ro para fugir da suposta “queimada”.
A idéia da construção vem desde o final de 2005; mas ainda não
existe parecer favorável do Compresp e nem do Condephaat (o
Ibirapuera é tombado, e esses órgãos cuidam do patrimônio da
cidade). Por outro lado o CONSELHO GESTOR DO PARQUE DO IBIRAPUERA
está se opondo fortemente à obra e até conseguiu abaixo-assinado
contrário contendo 1.300 assinaturas. Ainda existe parecer contrário
das autoridades ligadas à fauna (veja abaixo). Mas o Poder Público
parece inflexível e insiste na construção.
OS PERIGOS PARA A AVIFAUNA
O parecer técnico, contrário à instalação, elaborado pela DIVISÃO
TÉCNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA E MANEJO DA FAUNA SILVESTRE DO
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (DEPAVE 3) órgão da Secretaria Municipal do
Verde e do Meio Ambiente, é datado de janeiro de 2006. Este
documento, por si só, deveria ser um argumento definitivo para que
as autoridades buscassem outra área da cidade visando a instalação
das obras de Krajcberg. Mas está sendo totalmente desconsiderado.
No parecer, a Divisão de Fauna apontou, entre outros pontos, o
perigo do envidraçamento da estrutura da antiga Serraria. A
Secretaria da Cultura vem alegando que o projeto foi modificado e
será utilizado um vidro com jateamento de areia, o que evitará
colisões de aves. Só que, no Brasil, até onde se sabe, não existe
técnica totalmente eficiente para impedir colisões de aves contra
prédios envidraçados.
Por outro lado, o parecer da DIVISÃO DE FAUNA é claro: os prejuízos
à fauna não advirão somente dos vidros do Pavilhão, mas também do
aumento de freqüência de pessoas na área, do barulho, da mudança de
características atuais do local, onde impera a calma, o silêncio, os
espaços mais livres que aves buscam para se alimentar, nidificar e
pernoitar.
PARQUE ABRIGA ESPÉCIES AMEAÇADAS
Segundo o INVENTÁRIO DE FAUNA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (atualizado
em junho/2006), são registradas na cidade 432 espécies, sendo 163
espécies no Parque do Ibirapuera (142 das quais, aves).
Portanto, no Ibirapuera, encontram-se 37,73% das espécies de animais
em vida livre desta cidade, cujo ambiente natural foi tão
terrivelmente aviltado pela ocupação humana desordenada. Se
considerarmos somente as aves (as mais atingidas pelo Projeto do
Pavilhão Krajberc), serão prejudicadas 32,87% das espécies de
animais que foram inventariadas na cidade de São Paulo.
Das 142 espécies de aves do Ibirapuera, 10 (dez) são ENDÊMICAS da
MATA ATLÂNTICA. Destas, duas correm alto risco de extinção, conforme
o Decreto Estadual 42.838/98: jandaia-de-testa-vermelha e araponga;
e outras duas -- periquito-rico e tesoura-de-fronte-violeta –
aparecem no Apêndice II (riscos de extinção futura devido ao
comércio) da CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional de
Espécies da Flora e Fauna Silvestres em Perigo de Extinção.
Levando-Se em consideração somente o Decreto 42.838/98 (a lista a
fauna ameaçada de extinção do Estado de São Paulo), aparecem na
lista OITO das 142 espécies de aves do Parque do Ibirapuera. A
saber:
* Três na categoria ESPÉCIE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO NA CATEGORIA
VULNERÁVEL (ALTO RISCO DE EXTINÇÃO) - Anexo I-VU, do Decreto
Estadual 42.838/98: cabeça-seca; araponga; e curió;
* Três na categoria ESPECIE PROVAVELMENTE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO –
Anexo II – Decreto Estadual 42.838/98: gavião-de-cabeça-cinza;
papagaio-verdadeiro; e jandaia-de-testa-vermelha;
* Duas na categoria ESPÉCIE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO NA CATEGORIA EM
PERIGO (RISCO DE EXTINÇÃO EM FUTURO PRÓXIMO) - Anexo I-EP, do
Decreto Estadual 42.838/98: maracanã-nobre; e mocho-diabo;
As espécies gavião-de-cabeça-cinza, papagaio-verdadeiro,
jandaia-de-testa-vermelha, maracanã-nobre, mocho-diabo, além de
constarem da lista oficial do Estado de São Paulo de espécies
ameaçadas, estão listadas no APENDICE II da CITES - Convenção sobre
o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Silvestres em
Perigo de Extinção.
Além disso, a jandaia-de-testa-vermelha também consta da lista
vermelha de animais ameaçados de extinção elaborada em 2004 pela
IUCN - União Mundial para a Conservação, na categoria Quase
Ameaçada.
E a rara araponga ainda está na lista de espécies ameaçadas de
extinção na categoria Vulnerável (ALTO RISCO DE EXTINÇÃO NA
NATUREZA), da lista vermelha de animais ameaçados de extinção
elaborada em 2004 pela União Mundial para a Conservação.
CITES
Das 142 espécies de aves do Ibirapuera, além das já citadas acima,
também aparecem no APENDICE II da CITES - Convenção sobre o Comércio
Internacional de Espécies da Flora e Fauna Silvestres em Perigo de
Extinção:
23 (vinte e três) ESPÉCIES: Gavião-de-cauda-curta;
gavião-caramujeiro; gavião carijó; caracará; falcão-de-coleira;
quiriquiri; carrapateiro; periquitão-maracanã;
periquito-de-encontro-amarelo; periquito-rico (espécie endêmica do
Ibirapuera); tuim; maitaca-do-maximiliano; buraqueira;
corujinha-do-mato; coruja-orelhuda; beija-flor-do-peito-azul;
beija-flor-de-banda-branca; beija-flor-preto; tesourão;
beija-flor-preto-e-branco; papo-branco; tesoura-de-fronte-violeta; e
cardeal.
E consta da listagem, ainda, o falcão-peregrino, espécie constante
no APENDICE I da CITES, espécie mundialmente ameaçada de extinção.
PODER PÚBLICO TEM O DEVER DE PROTEGER A
FAUNA DO PARQUE!
Segundo o Art. 225 da Constituição, em relação à fauna incumbe ao
Poder Público: “VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma
da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica,
provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a
crueldade”. Portanto, os Secretários Municipais Carlos Augusto
Machado Calil (Cultura) e Eduardo Jorge Martins Sobrinho (Verde e
Meio Ambiente), que empenham-se fortemente na instalação do Pavilhão
Krajcberg dentro do Viveiro Manequinho Lopes, deveriam, ao
contrário, lutar pela preservação da fauna local
OS ANIMAIS NÃO PODEM FALAR, EXIGIR, NÃO
PODEM RECORRER À MÍDIA NEM À JUSTIÇA EM DEFESA DE SUA VIDA E
PRESERVAÇÃO! VAMOS NOS MANIFESTAR!
NÃO À CONSTRUÇÃO DO PAVILHÃO KRAJCBERG
NA SERRARIA DO VIVEIRO MANEQUINHO
LOPES!
(Coerência e respeito são importantes. Nada de ofensas pessoais às
autoridades nem ao artista).
Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente
EDUARDO JORGE MARTINS SOBRINHO /
eduardojorge@prefeitura.sp.gov.br
Secretário Municipal da Cultura CARLOS AUGUSTO MACHADO CALIL
A mensagem deve ser endereçada à sua ASSESSORA DIRETA:
beatrizamaral@prefeitura.sp.gov.br
Prefeito do Município de São Paulo
GILBERTO KASSAB /
gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br
Regina Macedo - Jornalista ambiental / Cel. 11-9627-7187 /
e-mail:
reginamacedo@tripoli.com.br
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