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24.11.2006
Novo surto da
enfermidade soma 434 casos na Holanda e preocupa autoridades
sanitárias européias.
Quando o trauma do mal da vaca louca começa a ser superado na
Europa e o fantasma da gripe aviária ainda paira sobre o mundo,
autoridades sanitárias européias demonstram preocupação com o
avanço de outra doença animal, o mal da língua azul. Causado por
um vírus transportado por um mosquito resistente ao frio, a
enfermidade já soma 434 casos na Holanda, o país mais atingido.
Em todo o norte da Europa, cerca de mil cabeças de gado
apresentaram sintomas.
O primeiro caso do novo surto da doença foi verificado em agosto,
em uma fazenda do sul holandês, perto da cidade de Maastricht e da
fronteira belga.
Atendendo à regulamentação sanitária internacional, o fluxo de
animais entre a região afetada e o resto do continente vem sendo
controlado. Na metade sul do país, os animais recebem tratamento
com inseticidas.
A preocupação de virologistas, infectologistas e veterinários se
deve ao progresso da contaminação. Fazendas da Bélgica, de
Luxemburgo, da Alemanha e da França também já tiveram
notificações. Um raio de 150 quilômetros no interior belga está
sob vigilância e outros 100 quilômetros formam uma zona de
proteção especial. Na França, onde um sexto caso foi comprovado,
na região de Bondues, no norte, medidas de prevenção foram
adotados em 17 departamentos - equivalentes a Estados - e pedidos
de flexibilização do trânsito de animais vêm sendo negados pelo
Ministério da Agricultura.
Ontem, em Paris, a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos
Alimentos informou que descarta riscos à saúde humana, mas
reconheceu a possibilidade de que o comércio europeu de carne
sofra novos prejuízos econômicos. 'Não há ameaça aos humanos, mas
há risco importante aos animais', diz Guillaume Gerbier,
veterinário especializado na enfermidade.
Uma guerra pela água pode estar prestes a ser travada
Por Clarissa Taguchi (fonte: Jornal
do Meio Ambiente - Brasil)
Quantos de nós parecem se incomodar com a falta de água para
beber, tomar banho, cozinhar ou apertar o botão da descarga? Não
parece, mas somos muitos. Somos muito mais do que aqueles que
reclamam quando a cisterna seca no ápice do verão. Somos aqueles
que vivem em cidades menores, que dependem diretamente da água de
rios, riachos, nascentes e de poços artesianos. Somos aqueles que
vivem em bairros esquecidos das cidades maiores, onde o saneamento
básico (água e esgoto) ainda não chegou.
Somos mais de 45 milhões de brasileiros sem acesso à água potável
e mais de 90 milhões sem acesso à rede de esgoto (dados do IBGE em
2004). No mundo somos 1,197 bilhão de pessoas sem acesso à água
potável e 2,742 bilhões sem saneamento básico (dados do Relatório
de Desenvolvimento Humano de 2004). De acordo com a ONU, 41% da
superfície atual do planeta é formada por áreas secas, como o
semi-árido brasileiro, e 2 bilhões de pessoas vivem nessas áreas.
Somos todas essas pessoas, de regiões secas ou úmidas, que não têm
acesso à água para beber.
Imagine então, quando nos multiplicarmos. Imagine além, quando a
desertificação for intensificada pelas mudanças climáticas. E
imagine mais, quando a água cristalina que vemos embalada em
garrafas pet, ou que sai da torneira de nossas casas, for
contaminada pelos sistemas de esgoto mal tratados, pelo uso de
agrotóxico das lavouras, pelo descarte de lixo tóxico das
indústrias.
Saiba que não é preciso imaginar. Todos os dias, rios, riachos,
lençóis e aqüíferos são contaminados. Todos os dias a estiagem
atinge regiões onde antes não atingia, chegando a durar o dobro de
tempo do que em décadas passadas. E todos os dias, em qualquer
parte do planeta, nascentes são adquiridas por empresas
transnacionais. Mas saiba também, que todos os dias seguem, um
atrás do outro, sem parar nem por um segundo.
Mesmo assim não doeu?
Talvez seja uma boa idéia guardar a conta de água de hoje, a
notinha da garrafa pet de água de hoje, moldurar na parede, e
contar os dias daqui para frente. Contar também, quantas garrafas
de água dava para comprar, e quantas outras coisas dava para
comprar. Porque se considerarmos todos os bens de consumo que
dependem da água para serem fabricados, sobra o quê?
Pensando assim, Michael McCarthy, editor de meio ambiente do
jornal inglês The Independent, deu início a uma série de artigos
colocando a água como próximo motivo de conflito entre as Nações.
“As sociedades industrializadas do Oeste ainda não perceberam, que
o recurso água encontra-se cada vez mais escasso para a maioria
das populações pelo mundo, cerca de 1.1 bilhão de pessoas não tem
acesso à água limpa, e isso tende a piorar”, diz.
“A maioria das pessoas quando pensa em água, visualiza o globo
terrestre composto de dois terços de água, mas a maioria não sabe
que apenas 2,5% dessa água não contém sal e dessa quantidade de
água, dois terços encontram-se nas geleiras e glaciais. O que está
disponível, em lagos, rios, aqüíferos e pela chuva, sofre uma
pressão cada vez maior”, lembra McCarthy.
Em 2003, um relatório das Nações Unidas previu, na pior das
hipóteses, que no meio deste século, 7 bilhões de pessoas em 60
países enfrentariam escasses de água. Se todas as medidas
políticas forem cumpridas, esse número cairia para 2 bilhões em 48
países. Mas é preciso lembrar que em 2003, período em que o
relatório foi lançado, o maior colaborador do fenômeno
desertificação não havia sido devidamente reconhecido: as mudanças
climáticas provocadas pelas ação de gases do efeito estufa
emitidos pelas atividades humanas no planeta. Para McCarthy, é
provável que as mudanças climáticas aumentem em 50% as condições
para escasses de água.
A posição da Inglaterra
Segundo o jornal The Independent, “o Ministro da Defesa da
Grã-Bretanha, John Reid, fez uma previsão sombria de que a
violência e conflito político se tornarão mais prováveis nos
próximos 20 ou 30 anos, na medida em que aumentar a
desertificação, o derretimento das calotas polares e o
envenenamento de fontes de água”. John Reid apontou as mudanças
climáticas como o motivo dos conflitos violentos causados com o
crescente aumento da população e a diminuição das reservas de
água.
As declarações de Reid fizeram com que a pressão exercida por
ambientalistas e especialistas do clima aumentasse com relação às
emissões de gases do efeito estufa. Os ativistas esperam modelar
uma nova campanha para exercer ações sobre as mudanças climáticas
aos moldes da campanha ‘Make Poverty History’ do ano passado, que
exerceu imensa pressão popular. O Primeiro Ministro Tony Blair já
declarou que “o aquecimento global é a maior ameaça a longo prazo
enfrentada pelo planeta”.
Para o Ministro da Defesa, as mudanças climáticas podem ser
consideradas tão ameaçadoras para os próximos 20 e 30 anos quanto
o terrorismo internacional, as mudanças demográficas e a demanda
energética. “As Forças Armadas Britânicas deverão estar preparadas
para enfrentar conflitos de recursos em escasses, deveremos estar
preparados para dar alento humanitário aos desastres, medidas de
segurança e pacificação em locais abalados politicamente e
socialmente como conseqüência de desastres da mudança climática”,
diz.
Em contrapartida, Charlie Kornick, coordenador da campanha sobre o
clima da organização ambientalista Greenpeace, diz que “bilhões de
pessoas já enfrentam a pressão da escassês de água devido às
mudanças climáticas na África, Ásia e América do Sul, se os
políticos perceberem o tamanho da gravidade que o problema pode se
tornar, por que as emissões de gases CO2 na Inglaterra ainda
continuam aumentando?”.
Os conflitos
De acordo com o mesmo jornal inglês, os conflitos tendem a vir das
seguintes Nações:
Israel, Jordânia e Palestina: 5% da população do mundo sobrevive
com 1 por cento da sua água disponível no Oriente Médio, nesse
contexto ainda há a guerra entre árabes e israelenses. Isso
poderia contribuir para crises militares adicionais enquanto o
aquecimento global continua. Israel, os territórios palestinos e a
Jordânia necessitam do rio Jordão mas Israel o controla e corta
suas fontes durante épocas de escassez. O consumo palestino é
restringido severamente por Israel.
Turquia e Síria: Os projetos da Turquia para construir represas no
rio de Euphrates levaram o país à beira de um conflito com a Síria
em 1998. Damasco acusa Ancara de usar deliberadamente sua fonte de
água enquanto o rio desce pelo país que acusa a Síria de proteger
líderes separatistas curdos. A falta de água ocasionadas pelo
aquecimento global aumentará a pressão nesta volátil região.
China e Índia: O rio de Brahmaputra já causou tensão entre Índia e
China e pode se tornar uma faísca para dois dos maiores exércitos
do mundo. Em 2000, Índia acusa China de não compartilhar
informações sobre o funcionamento do rio desde o Tibet que causou
inundações no nordeste da Índia e em Bangladesh. As propostas
chinesas para desviar o rio também concernem à Deli.
Angola e Namíbia: As tensões aumentaram entre Botswana, Namíbia e
Angola em torno da vasta bacia de Okavango. As secas fizeram a
Namíbia reativar projetos para um encanamento da água de
250-milhas para fornecimento à capital. Drenar o delta seria letal
para comunidades locais e para o turismo. Sem a inundação anual do
norte, os ‘swamps’ encolherão e a água sangrará até o deserto de
Kalahari.
Etiópia e Egito: O crescimento populacional no Egito, Sudão e
Etiópia está ameaçando um conflito ao longo do rio mais comprido
do mundo, o Nilo. A Etiópia está pressionando por uma parte maior
da água azul do Nilo mas isso prejudicaria o Egito. E o Egipto
está preocupado com a parte branca do Nilo que corre através de
Uganda e Sudão, e que poderia ser esgotado também antes que
alcance o deserto de Sinai.
Bangladesh e Índia: As inundações no Ganges causadas pelo
derretimento das geleiras do Himalaia chegam à Bangladesh o que
leva a uma ascensão na migração ilegal à Índia. Isto fez com que a
Índia construísse uma imensa cerca na beira do rio na tentativa de
obstruir os imigrantes. Cerca de 6.000 pessoas cruzam ilegalmente
pela beira do rio em direção à India a cada dia.
Os fatos, segundo Michael McCarthy
* Em nosso planeta aquoso, 97.5% da água é salobra, inadequada
para o uso humano.
* A maioria da água fresca está presa nas geleiras e glaciais.
* A necessidade básica recomendada de água por a pessoa num dia é
50 litros. Mas as pessoas podem utilizar algo perto de
aproximadamente 30 litros: 5 litros para alimento e bebida e uns
outros 25 para a higiene.
* Alguns países usam menos de 10 litros de água por pessoa ao dia.
Gambia usa 4.5, Mali 8, Somália 8.9, e Moçambique 9.3.
* Em contraste o cidadão médio dos EUA usa 500 litros de água por
dia, e a média britânica é 200.
* No oeste, é utilizado cerca de aproximadamente 8 litros para
escovar os dentes, 10 a 35 litros para nivelar a descarga, e 100 a
200 litros para tomar banho.
* Litros de água necessários para produzir 1 Quilo de:
-Batata 1.000 L
-Milho 1.400 L
-Trigo 1.450 L
-Galinha 4.600 L
-Carne 42.500 L
Fonte:
http://panoramaecologia.blogspot.com/2006/03/ver-para-crer-uma-guerra-pela-gua-pode.html
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