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22.11.2006
Defensores chineses dos direitos dos animais saudaram uma proposta
da União Européia (UE) para a proibição de importações de pele de
cães e de gatos, dizendo que a medida forçará o governo da China a
aprimorar a proteção dos animais. A UE apresentou a proposta na
segunda-feira, prevendo a proibição da venda e importação de peles
de cães e gatos em todos os 25 países membros. O comissário
europeu de proteção ao consumidor, Markos Kyprianou, disse que os
animais são mantidos em gaiolas e abatidos de modo cruel e
chocante.
A chancelaria chinesa nega que a tortura e crueldade contra cães e
gatos seja corriqueira, e disse que o governo vem ampliando a
conscientização quanto aos direitos dos animais. Ativistas dizem
que milhões de animais são criados para a extração da pele, a
maioria na China e outras partes da Ásia.
"Acho que isso (a proibição) ajudará, é um sinal muito importante
para o governo chinês", disse Zhang Dan, vice-presidente da
Associação Chinesa de Proteção de Animais Pequenos. Zhang e outros
ativistas dizem que os criadores chineses espancam os animais até
a morte, e às vezes os esfolam vivos. Para apoiar sua proposta,
Kyprianou exibiu vídeos de cães sendo espancados com bastões ou
cortados vivos para sangrar até a morte, e o estrangulamento de
gatos com fios.
Fonte: Agência Estado
http://jc.uol.com.br/2006/11/22/not_124706.php
Parque do Rio tem
"safáris" clandestinos
Folha on line 21/11/2006
MARIO HUGO MONKEN
Enviado Especial da Folha de S.Paulo a Cachoeiras de Macacu
Maior reserva florestal do Estado do Rio de Janeiro, com 46.350
hectares, o parque dos Três Picos é palco de "safáris" promovidos
por caçadores que estão matando animais como pumas, pacas, sagüis,
jaguatiricas, capivaras e muriquis, segundo investigações do
Ministério Público Estadual e de acordo com relatos dos
funcionários da reserva.
Para tentar coibir a ação dos caçadores, o parque conta apenas com
cinco fiscais. Só dois possuem porte de arma. Apesar de a unidade
ter sido criada em 2002, o órgão responsável, o IEF (Instituto
Estadual de Florestas), do governo estadual, não realizou concurso
público. Os fiscais foram cedidos por outras autarquias.
O parque Três Picos abrange cinco municípios da região serrana e
das baixadas litorâneas (Teresópolis, Nova Friburgo, Cachoeiras de
Macacu, Guapimirim e Silva Jardim) e foi criado para formar um
cinturão de mata atlântica juntamente com outras unidades de
conservação. Sua fundação representou um acréscimo de 75% em área
protegida no Estado.
Segundo informações de funcionários, os caçadores, em grupos de
até 30 pessoas, passam dias no interior da mata. Montam ranchos
com camas, colchonetes e até fogão.
A caça na região, que antes era de subsistência, hoje tem fins
lucrativos, tráfico ou venda da carne para restaurantes. Relatos
indicam que os caçadores montam armadilhas para os animais com
fios de náilon amarrados nas árvores que acionam armas.
Neste ano, os fiscais já apreenderam 42 armas e 300 cartuchos de
munição e desarmaram pelo menos cinco ranchos. Os fiscais admitem
ser difícil identificar os caçadores porque a maioria vem de fora
e atua nas áreas menos visitadas.
Correm perigo 16 das 48 espécies de mamíferos e de aves da região
--como arapongas, águias-cinzentas e gaviões-pega-macaco. Algumas
aves, como a jacutinga e o macuco, já foram quase extintas da
reserva.
Agenciadores
Os caçadores se utilizam de outras estratégias. Há aqueles que
contratam guias para ajudá-los a percorrer o parque. Há casos em
que eles soltam cachorros na floresta. Os fiscais dizem também que
há agenciadores de caça --pessoas que alugam residências dentro do
parque e em seu entorno para a hospedagem de caçadores.
Em pequeno número, os fiscais ficam sujeitos a retaliações. No mês
passado, após um rancho ter sido desmontado na mata, caçadores
efetuaram pelo menos cinco disparos em direção à sede do parque,
em Cachoeiras de Macacu.
As armadilhas para caça já causaram uma tragédia. Em julho, o
pedreiro Clair Nunes Filho, que iria acampar no local, morreu com
um tiro ao tentar destruir uma tocaia montada por caçadores na
reserva.
A caça não é o único problema no parque Três Picos. A extração de
vegetais como palmito, bromélias e orquídeas é constante. Só em
abril, por exemplo, foi apreendida em Teresópolis uma tonelada de
palmito furtado do parque.
Segundo relatos de funcionários, cada palmiteiro tem condição de
retirar do parque, em três dias, pelo menos 70 kg do produto.
Suspeita-se que 250 palmiteiros atuem na área.
A questão fundiária não foi resolvida. Quando o parque foi criado,
várias famílias já moravam por lá. Até agora, cerca de 10% do
problema foi solucionado. As residências trazem risco porque
muitos moradores criam gado e realizam queimadas para pastagem. Só
neste ano, seis hectares de florestas foram destruídos.
Segundo Flávio de Jesus, administrador do parque, Três Picos é
custeado por um acordo de compensação ambiental entre o governo
estadual e a empresa TermoRio, que construiu uma termelétrica na
Baixada Fluminense. Pelo acordo, serão repassados R$ 6 milhões
para a reserva, mas, até agora, pouco mais de R$ 1 milhão foi
gasto.
O outro lado
O IEF (Instituto Estadual de Florestas) informou que, para tentar
resolver o problema da falta de pessoal, contratou 19 guardas sem
concurso público para prestar serviços no parque dos Três Picos.
Eles não têm poder de fiscalização nem autorização para portar
arma. O órgão não informou quando realizará concurso público mas
acrescentou que os funcionários já têm plano de carreira.
Segundo o IRF, a caça e a extração de vegetais estão sendo
combatidas dia-a-dia, não só com fiscalização mas também com
notificações preventivas.
Segundo o órgão, o acordo com a TermoRio vem sendo cumprindo.
Neste ano foi liberado dinheiro para a aquisição de carros e para
a construção da sede do parque.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15537.shtml
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