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14/11/06 10:47 ( Fonte: Reuters)
Por Daniel Wallis
NAIRÓBI (Reuters) -
Mudanças climáticas descontroladas podem levar à extinção até 72
por cento das espécies de aves do mundo, mas o mundo ainda tem a
chance de limitar essas perdas, disse o grupo ambientalista WWF em
um relatório divulgado na terça-feira.
Desde as aves migratórias e insetívoras aos saís de regiões
tropicais e pinguins de águas frias, as aves são muito sensíveis a
mudanças nas condições climáticas e muitas já estão sendo
duramente afetadas pelo aquecimento global, disse o novo estudo.
"As aves já estão respondendo aos níveis atuais de mudança
climática", afirmou o documento, lançado durante a conferência
sobre o clima realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU)
no Quênia.
"As aves são um indício de que o aquecimento global colocou em
movimento uma cadeia poderosa de efeitos nos ecossistemas do mundo
todo", disse o WWF.
"Provas contundentes mostram que as mudanças climáticas estão
afetando o comportamento das aves - algumas aves migratórias até
deixaram de migrar."
No futuro, afirmou o relatório, o aquecimento descontrolado
poderia ameaçar um grande número de espécies. As estimativas sobre
as taxas de extinção falam em até 72 por cento, "dependendo da
região, do cenário climático e da capacidade das aves de mudarem
para novos habitat".
Segundo o documento, "cenários mais extremos" de extinção poderiam
ser evitados se metas rígidas de proteção ao clima forem adotadas
e se a emissão de gases do efeito estufa forem reduzidos para
provocar aumentos no aquecimento da Terra de menos de 2 graus
Celsius acima dos níveis pré-industriais.
Já em queda na Europa e nos EUA, muitas populações de aves
migratórias deixaram de encontrar suas fontes de alimento, que
passaram a aparecer cada vez mais cedo devido à elevação das
temperaturas, um fenômeno atribuído por cientistas às emissões de
gases produzidos na queima de combustíveis fósseis.
Na baía de Hudson, no Canadá, os mosquitos estão nascendo e
chegando a seus números de pico na primavera, mas as aves
migratórias que se reproduzem ali não ajustaram seu comportamento
a esse fenômeno.
Na Holanda, segundo o relatório, um evento semelhante levou a uma
queda de até 90 por cento de algumas populações de
papa-moscas-preto, nas últimas duas décadas.
"SEM LUGAR PARA IR"
A elevação da temperatura conforme se prevê pode fazer com que as
áreas pantanosas do Mediterrâneo europeu - um habitat crítico para
as aves migratórias - sejam destruídas totalmente até a década de
1980 deste século, afirmou o documento.
O aquecimento também teria um impacto desastroso sobre as espécies
residentes, já que o habitat delas mudaria.
"Muitos centros ricos em espécies de aves estão localizados
atualmente em áreas protegidas, das quais as aves podem ser
obrigadas a sair devido às mudanças climáticas, passando a ocupar
áreas desprotegidas", afirmou o relatório.
"Aves de ilha e de montanha podem simplesmente não ter um lugar
para onde ir."
Nos EUA, o aquecimento desenfreado diminuiu em cerca de um terço o
número de aves no leste do Meio-Oeste e na região dos Grandes
Lagos, enquanto quase três quartos das aves de floresta tropical
do nordeste da Austrália estão sob o risco de serem dizimados.
"Na Europa, a águia-imperial-ibérica, encontrada atualmente em
reservas e parques naturais, deve perder toda a sua área", disse o
documento do WWF.
Também correm grandes riscos oito espécies de saís havaianos, os
pinguins das ilhas Galápagos e o tetraz da Escócia -- o maior do
mundo --, aves que, segundo o WWF, poderiam perder 99 por cento de
seu habitat devido ao aquecimento global.
Hantavirose e cobras
Cartas
A Notícia (maior jornal de SC) -
16nov06
http://an.uol.com.br/2006/nov/16/0opi.jsp
Na reportagem sobre a proliferação de ratos (A Notícia, 9/11/2006)
com a confirmação de mais um caso de hantavirose, em Santa
Terezinha (SC), não está sendo informado a principal componente do
problema: desequilíbrio ambiental.
É o preço que todos devem pagar pela devastação da mata atlântica
e o enorme preconceito contra os predadores naturais, como as
cobras. Por pura ignorância, as cobras, que tantas vidas humanas
salvam, são impiedosamente exterminadas, não importando qual
espécie, que é trivial de ser identificada. Mesmos as venenosas,
inconfundíveis, não oferecem perigo se forem respeitadas,
sobretudo se estiverem na natureza.
O desmatamento também elimina importantes predadores, dependentes
de áreas preservadas, que controlam a população de ratos
silvestres, tais como: corujas, lagartos, gato-do-mato e tantos
outros. Uma coruja pode devorar 8 mil ratos por ano! Já as cobras
são predadores muito eficazes, porque entram nas tocas dos ratos e
devoram também as crias, exercendo forte controle na população
destes.
É importante que as pessoas, sobretudo as que estão desmatando o
que resta de nossos ecossistemas e matando qualquer bicho que vê
pela frente, tenham consciência do mal que estão fazendo para a
coletividade e para as gerações futuras, além de colocar em risco
sua própria vida. Estão deixando um meio ambiente arrasado para as
gerações futuras, sem água e com doenças letais incontroláveis.
Não é fácil resolver um problema de desequilíbrio ambiental,
sobretudo de superpopulação de ratos, com taxa de reprodução
explosiva por estar na base da cadeia alimentar. Já está na hora
de as pessoas perceberem que o ser humano não tem controle sobre
natureza, como muitos imaginam. Está aí a prova: um único ratinho
pode matar milhares de pessoas.
Germano Woehl Jr., Jaraguá do Sul/
germano@ra-bugio.org.br
Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, SC
www.ra-bugio.org.br
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