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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

A dura vida dos vira-latas nas ruas de SP 

Fonte: Jornal da Tarde/SP - 02/03/2006

 

Estudo inédito realizado pela geógrafa Karen Gimenez traça o perfil dos animais de rua da Capital. Entre as muitas peculiaridades, ela descobriu que poucos são agressivos, que preferem abrigar-se em áreas verdes e lixões e que, invariavelmente, recebem maus-tratos e são alvos de brincadeiras cruéis

MARC TAWIL

Esqueça a imagem surrada de abrigo ambulante de carrapatos, sarnas e pulgas. Os bandos de vira-latas que perambulam pelas ruas ganharam, na semana passada, um estudo próprio, que definiu qual o seu perfil e hábitos, e como eles influenciam no cotidiano da Capital.

As fêmeas são maioria (66%). Portentosas, costumam pesar, em média, 14 kg, mas não têm raça definida (são mesmo vira-latas). São jovens (têm entre dois anos e meio e três anos e meio de idade), pêlos curtos, olhos castanhos, orelhas caídas, rabos finos e cor parecida com a do pastor alemão (preto com peito e patas bege).

A pesquisa Animais Abandonados no Município de São Paulo e sua Relação com o Ambiente Urbano, da geógrafa Karen Gimenez, levou três anos para ficar pronto e também analisou os gatos da Cidade.

O estudo mostra que 33% das pessoas que procuram o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) o fazem pedindo para se livrar do próprio animal. "Desse universo, quase 60% querem abandoná-lo por motivos banais, como viagem de final de ano, gravidez da mulher, crescimento inesperado do animal, velhice ou falta de paciência." O CCZ mata esse animal em três dias, caso ele não seja adotado.

Para realizar a pesquisa, Karen analisou individualmente 200 cães e gatos recolhidos da rua ou abandonados por seus donos.

Não existe censo sobre a população animal de rua da Cidade. "Ouvi falar em 600 mil e até em 2 milhões de cães e gatos. Na pesquisa, vimos que eles preferem locais onde existe lixo acumulado e áreas verdes, pois há abrigo", diz a geógrafa. "Nas áreas de proteção ambiental, os animais de rua podem interferir na cadeia alimentar, levar e pegar doenças. Um mapeamento feito pela ONG Bicho no Parque no Ibirapuera já identificou nove colônias de gatos naquele local", revela.

Atropelamentos nas estradas são constantes - 500 por ano, em média -, apesar de registrados na polícia apenas quando causam danos ao veículo ou acidentes graves. Não há dados sobre mortes desses animais na Cidade. Soube-se, porém, que em regiões carentes são os moradores que salvam os animais de rua, muitas vezes apedrejando os carros do CCZ que passam para recolhê-los.

Cães e gatos também costumam ser vítimas de arruaceiros, normalmente menores de idade,afirma Karen: "Invariavelmente, eles são envenenados, chutados, apedrejados. Alguns cães são pegos para rinhas".

Para organizar o estudo, ela contactou 12 ONGs, acompanhou 20 sites, 6 listas de discussão, 8 comunidades no site Orkut, e freqüentou fóruns, seminários e reuniões.

 

 

FAUNAVAL

 

BARRANQUILA, Colômbia - Cerca de cem jovens desfilaram, no dia 25 de fevereiro,no começo do Carnaval de Barranquilla (norte da Colômbia), com fantasias de animais ameaçados e em vias de extinção.

Darío Morreo, diretor artístico do "Faunaval", disse ao Terramérica que esta proposta busca fomentar o conhecimento e a conservação das espécies em risco, como o sagüi-cabeça-de-algodão (Saguinus oedipus), o bugio (Alouatta seniculus) e o jaguar (Panthera onca).

"Escolhi a iguana porque é um dos animais mais maltratados desta região. Abrem seu o ventre ainda vivos, para retirar os ovos e comercializá-los, e depois os deixam morrer", disse ao Terramérica Elkim Pineda, que desfilará com cinco companheiros dentro de uma fantasia de iguana de seis metros.

O programa é organizado pelo Parque Cultural do Caribe, em associação com a Corporação Autônoma Regional do Atlântico, a Fundação Zoológico de Barranquilla, a Fundação Carnaval de Barranquilla e a Conservação Internacional.


http://www.tierramerica.org/portugues/2006/0225/pecobreves.shtml

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