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Daniel Engelbrecht
A estudante de artes cênicas Lívia, de 20 anos, filha da advogada
Cláudia Marinho — acusada de agredir, torturar e manter em cárcere
privado a veterinária Márcia Lilian Pereira de Lima por causa de
uma coelha — está presa há três dias na Polinter, sob a acusação
de ter participado do crime. A mãe, que não se apresentou a
polícia, disse ao GLOBO, por telefone, que tudo não passou de uma
briga e que as denúncias são um exagero. Cláudia alegou ter ficado
desesperada quando sua coelha Gia começou a passar mal depois de
receber um medicamento prescrito pela veterinária.
— Eu amo mais a minha coelha do que minha filha e meu marido —
disse Cláudia.
Cláudia contou que, por diversas vezes, tentou falar com a
veterinária depois que descobriu que o remédio Natalene não era
indicado para coelhos. Moradora da Barra, onde vive num
apartamento na Avenida Sernambetiba com a coelha e o marido,
Cláudia afirmou que Gia quase morreu e está com suspeita de
falência renal. No início do mês, a coelha, que tem três anos e
meio, fez tratamento contra sarna nas orelhas:
— Conheço diversos veterinários no Rio e todos disseram que esse
remédio não poderia ter sido passado em hipótese alguma para a
coelha. Esse remédio inclusive é proibido em diversos países. Nas
vezes em que tentei falar com a veterinária, ela foi arrogante e
não quis levar a sério o problema.
A advogada conta que pediu para um sobrinho marcar o encontro no
apartamento da filha, na Rua Pio Correa, no Jardim Botânico,
porque seria a única forma de conversar com Márcia e cobrar
explicações:
— Quando ela chegou, ainda quis tirar uma onda, dizendo que não
tinha feito nada de errado. Fiquei louca e desesperada porque ela
estava fazendo pouco-caso. Houve uma discussão e uma briga. É
claro que eu estava mais exaltada, mas as agressões foram dos dois
lados, tanto que estou marcada.
Cláudia confirmou que pegou uma faca para cortar o rabo-de-cavalo
da veterinária e que, como não conseguiu, optou por uma tesoura.
Ela negou, no entanto, que tenha mantido Márcia em cárcere privado
por três horas, como afirma a veterinária, obrigando-a a tomar o
restante do medicamento:
— Não haveria possibilidade de acontecerem essas agressões
covardes porque ela estava acompanhada de uma moça, que se dizia
estagiária.
Segundo a advogada, Lívia, presa em flagrante por policiais
militares momentos depois, não teve participação efetiva na briga.
A Justiça negou a ela, no sábado, um pedido de hábeas-corpus.
— Ela estava no computador com meu sobrinho quando começou a
confusão. Ela veio, claro, para me ajudar, mas ficou só nisso. Não
é verdade que ficou com uma faca mantendo a veterinária presa. O
edifício tem câmeras que marcam o horário e vão provar que tudo
não levou mais do que 40 minutos.
Cláudia admite que errou quando pegou as chaves do carro de Márcia
e saiu com o veículo, mas garante que não tinha intenção de
roubá-lo:
— Como houve bagunça no prédio, pensei apenas em tirar o carro
dela da garagem. Tanto que ele foi achado bem perto.
Dizendo-se defensora dos animais, a advogada revelou que cria 15
cachorros e 15 gatos doentes ou recolhidos da rua em outros dois
imóveis: um outro apartamento na Avenida Sernambetiba e uma casa
em Jacarepaguá.
Saiba mais sobre o caso
A veterinária Márcia Lilian Pereira de Lima disse ter sido
ameaçada durante dias e mantida em cárcere privado por cerca de
três horas sexta-feira, agredida e obrigada a beber o medicamento
prescrito à coelha. Segundo ela, a estagiária Gabriele Fontenele,
de 20 anos, presenciou parte dos fatos. Márcia disse não estar
surpresa com o fato de a advogada estar foragida:
— Ela disse que poderia sair do país porque tinha dinheiro e que
poderia pagar a alguém para me matar.
Sem revelar onde está, a advogada, que deu entrevista ontem ao
GLOBO, por telefone, disse que vai se apresentar à polícia assim
que seu advogado conseguir um hábeas-corpus. A mãe de Cláudia, a
aposentada Maria de Lourdes Pereira Marinho, de 75 anos, confirmou
que a filha gosta muito da coelha.
— Minha filha tem uma verdadeira veneração, até dorme com ela.
Tudo aconteceu num momento de de desespero — ponderou.
Justiça
devolve macaca a técnico em eletrônica
27 de dezembro de 2005
PORTO ALEGRE.
A Justiça Federal do Rio Grande do Sul concedeu liminar contra o
Ibama determinando a devolução da macaca Brigite ao técnico em
eletrônica Saul Zaniol de Caxias do Sul. Ao requerer a devolução
da macaca, a advogada Ana Paula Fialho alegou “risco de vida para
Brigite provocado pelo trauma do rompimento da relação familiar
com os Zaniol”.
A primata da espécie Lagotrix lagothricha — mais conhecido por
macaco barrigudo — foi apreendida, em outubro, em conseqüência de
uma denúncia anônima de maus-tratos depois de 19 anos vivendo sob
os cuidados dos irmãos Airton e Saul Zaniol e também ajudando no
tratamento de Antônio Zaniol, deficiente mental. Ela era vista
diariamente presa a uma corda de pano com três metros de
comprimento na oficina de propriedade da família.
Quando a liminar foi concedida, Brigite foi encontrada, na noite
de sexta-feira, na custódia do Ibama, magra e com forte diarréia.
O Ibama recorreu contra a liminar, alegando que a posse doméstica
de animal silvícola é ilegal. Afirmou também que a restituição do
animal à família serviria de estímulo para o tráfico de animais.
Mas a desembargadora concluiu que Brigite, que já vive há 19 anos
com os Zaniol, deve permanecer no ambiente em que foi criada.
Segundo a avaliação do médico veterinário da família e técnico da
Emater, Ricardo Capelli, a macaca não sobreviveria mais 20 dias
nas condições em que estava no Ibama. Brigite foi deixada em
Caxias do Sul em 1985 quando um caminhoneiro da Amazônia deixou-a
com a família.
http://oglobo.globo.com/jornal/pais/189754137.asp |
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