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Para mim todos os dias são
iguais, vivo em uma cela aqui do biotério, aonde nos servem ração e água,
fico esperando por um afago ou que alguém venha brincar comigo. Quando um
dos auxiliares entra para encher meu pote de ração abano o rabo e tento
receber um carinho em troca, mas esses homens me olham com indiferença e
logo saem da minha cela.
Hoje porém o dia começou
diferente, um dos auxiliares entrou e disse que eu e meu colega da cela ao
lado iríamos dar um passeio, me sinto um pouco mais alegre, o dia está
bonito e entramos em um carro para fazermos o tal passeio.
O passeio não dura muito, e
logo o carro estaciona e o auxiliar nos pega pela coleira, entramos em uma
sala toda branca e limpinha, cheia de humanos jovens que escutam
atentamente ao que um outro mais velho diz.
De repente pegam o meu
companheiro e o colocam em uma mesa, nos olhamos e parece que pela
primeira vez iremos receber um carinho, pois muitos daqueles humanos
jovens começam a passar as mãos em meu amigo.
Eu estou amarrado em uma mesa
ao lado assistindo ao que está acontecendo e aguardando a minha vez de
receber carinho. Mas.........percebo que dão uma injeção em meu amigo que
parece não gostar nada daquilo, enquanto isso um outro humano se aproxima
com algo que parece ser uma faca e começa a fazer um corte na garganta de
meu amigo. O humano mais velho diz a eles que hoje terão uma aula sobre o
funcionamento da traquéia animal e dá o primeiro corte.
Não consigo acreditar no que
estou vendo, a garganta de meu amigo sendo aberta enquanto vários humanos
estão em cima dele e mal consigo enxergar o que está acontecendo. Alguns
minutos depois ouço o humano mais velho dizer que aquela parte da aula
estava terminada e que podiam dispensar o cadáver. Meu amigo é então
colocado em um saco de lixo e levado para fora.
A essa altura já estou com
muito medo e tento fugir sem conseguir me soltar das amarras que me
prendem à mesa.
Nesse momento o homem mais velho que chamam de professor diz que o próximo
estudo será sobre o funcionamento dos pulmões, olha para mim e pede que um
dos mais jovens venha me buscar, tento fugir mais uma vez sem
conseguir..., sei que algo vai acontecer comigo e percebo que não vai ser
bom, mas... mesmo assim o meu instinto me impede de morder esse jovem
vestido com seu avental branco. Olho para ele como que suplicando que não
me faça mal. É nesse momento que recebo uma injeção igual à que meu amigo
havia tomado e vou me sentindo mole, a vista ficando escura até que não
vejo mais nada.
Autor: Erico Mabellini |