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12-11-2006
Agência Estado (AE)
Pela primeira vez, os cães e gatos da cidade de São Paulo começam a
ser contados oficialmente. O censo canino e felino já está sendo
realizado em algumas regiões da Capital. Agentes do Centro de
Controle de Zoonoses (CCZ) estão indo de casa e casa para saber dos
moradores o número de animais domésticos que eles mantêm, seus
nomes, condições de saúde, se são castrados ou não e outras
informações sobre os bichos.
"Bom dia. Somos da Prefeitura e estamos fazendo um censo animal, a
senhora pode responder a umas perguntas? É bem rápido", pede a
veterinária Déborah Ferreira da Silva, 33 anos, da Supervisão de
Vigilância em Saúde (Suvis) de São Mateus, na Zona Leste, munida de
sua prancheta.
Lá de dentro, já escuta um latido como resposta - ou seja, tem bicho
em casa. Mas não é necessário que os técnicos vejam o animal. Três
agentes da equipe fazem o mesmo nas outras casas sorteadas para
pesquisa. Elas já deverão encerrar o trabalho na próxima semana.
Déborah pergunta o número de moradores humanos e não humanos. A
entrevista, que é feita no portão, segue.
Mas algumas questões recebem, às vezes, respostas inusitadas. "O
animal é para companhia ou guarda?", questiona a entrevistadora. E
já ouviu, no caso dos gatos, que é para guardar a casa, protegendo-a
dos ratos. Os nomes dos pets também indicam as tendências da moda.
Um em evidência é o de Foguinho, em homenagem ao personagem de
Lázaro Ramos na novela Cobras & Lagartos.
Apesar dessas nuances, o trabalho, que tem a parceria da
Universidade de São Paulo (USP), é feito com rigoroso critério
técnico. E tem como objetivo responder a uma pergunta que ninguém
atualmente sabe ao certo: quantos animais de estimação existem em
São Paulo.
Os especialistas trabalham com o dado de um cão para sete moradores
e um gato para cada 46 habitantes. Mas eles estão convencidos de que
esse número não é a realidade em todo o município.
De posse de números concretos, a Prefeitura poderá planejar as ações
com mais certeza, como as campanhas de vacinação e castração. O
diretor do CCZ, Marcelo Brandão, ainda está cauteloso em relação ao
censo. "É um trabalho-piloto que estamos fazendo devagar. As Suvis
não estão sendo obrigadas a realizar o censo.
Na Zona Leste, entretanto, quase todas as Suvis estão fazendo ou já
terminaram a tabulação dos dados. A expectativa é de que na campanha
de vacinação, em agosto, dados do censo animal já estejam norteando
o trabalho.
"Não queremos criar expectativas na população, mas pedimos que as
pessoas que forem sorteadas na pesquisa colaborem com os técnicos,
dando as informações necessárias.
E o diretor logo avisa: "Não tem nada a ver com a carrocinha ou com
a Prefeitura querendo criar outras taxas". Pela experiência das
agentes de São Mateus, a receptividade da comunidade tem sido
positiva.
"Nossa, que coisa boa ter um censo para animais. Só conhecia o do
IBGE. Eu me preocupo muito com os bichos", disse Márcia Maria
Sanches, moradora do Jardim Iguatemi, que recebeu os recenseadores
respondendo a perguntas sobre a alegre Baby, vira-lata de 3 anos. A
cachorra acompanhou de perto as perguntas do censo. E latiu muito.
Aliás, as agentes já se acostumaram com esse lado barulhento do
trabalho. Pitucha também virou número oficial. Ela é uma assustada
poodle que pertence à dona de casa Elma Ferreira Afonso, 22 anos.
"Fiquei surpresa com o cuidado da Prefeitura. Achei bacana", disse
Elma, que também foi orientada por Déborah sobre a importância da
cachorra ter o RGA animal.
fonte:
http://www.cosmo.com.br/brasilemundo/integra.asp?id=176497
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