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Domingo, 23 de Julho de 2006
Da Sucursal
A campanha de castração que serviu de base para as mudanças
adotadas em Praia Grande, no controle de animais de rua, não visa
apenas esterilizar cães e gatos. Mais do que isso, o trabalho,
desenvolvido pela Prefeitura em parceria com a entidade Amigos do
Bicho, quer incutir na mente da população o conceito de posse
responsável. ''O mutirão acontece apenas nos bairros mais
carentes, na terceira zona, onde a maior parte dos moradores não
tem condições de pagar uma castração do animal de estimação.
Então, aproveitamos para reforçar a importância de se cuidar
adequadamente dos bichos e evitar muitas crias'', comenta a
coordenadora da campanha, Vanessa Andréia de Oliveira, que é
auxiliar cirúrgica da Prefeitura e integra a Amigos do Bicho.
Segundo ela, uma prova do sucesso do trabalho está no número de
atendimentos. Em apenas 75 dias de mutirões, realizados em seis
loteamentos - Quietude, Samambaia, Cidade da Criança, Jardim Real
e Canto do Forte (Cohab) -, foram realizadas quase duas mil
cirurgias de esterilização. ''Durante a semana, fazemos cerca de
12 operações por dia. Nos finais de semana, essa média fica entre
40 e 60''.
Também participando dos mutirões, a veterinária da Prefeitura
Mônica Vasques assinala que o trabalho em conjunto com a entidade
de proteção aos animais foi fundamental para o aumento do número
de atendimentos. ''Antes, eu fazia castrações só dois dias por
semana, na Zoonose, sem qualquer auxílio. Tinha que receber o
animal, pesá-lo, operá-lo, vigiá-lo enquanto se recuperava e
entregá-lo ao dono. Agora, tenho uma equipe que faz quase tudo''.
Vantagens
A veterinária comenta que um dos benefícios da campanha foi acabar
com certos mitos da castração, como o de que fêmeas só podem
passar pela operação após a primeira cria. ''Na realidade, estudos
mostram que uma esterilização antes do primeiro cio reduz em quase
100% os riscos de uma cadela ter câncer de mama. Após o segundo
cio, esse índice cai para 77% e, do terceiro em diante, a queda é
ainda maior''. Ainda assim, ela destaca uma série de vantagens na
castração, que torna o animal menos propenso a fugas, por exemplo.
Para a veterinária, a redução da população de animais de rua é
fundamental para se diminuir ainda mais as eutanásias no
Município. ''Quando um cão mora na rua, está mais sujeito a
maus-tratos, atropelamentos e desnutrição, o que facilita que ele
chegue a um estado terminal e precise ser sacrificado''.
Rápida e de baixo risco, a cirurgia de castração demora cerca de
40 minutos no caso de machos, incluindo o tempo para pesagem,
anestesia, recuperação e devolução ao dono. Já as fêmeas exigem
mais cuidados e só a operação demora aproximadamente uma hora.
''Como desconheço os antecedentes do animal, faço um exame prévio,
mas há sempre certo risco. Por isso, o proprietário precisa
assinar um termo de responsabilidade autorizando o serviço'',
conta Mônica. Para ter acesso ao serviço, o dono do animal precisa
também pagar uma taxa de R$ 10,00. Vale lembrar que os mutirões
acontecem por determinado período, em bairro considerados mais
carente. Esta semana, o trabalho acontece no Campo do Botafogo, na
Vila Antártica. Informações sobre os próximos locais da campanha
podem ser obtidas pelo telefone 3596-1882 (Zoonose).
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