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Município aposenta a tradicional carrocinha

Domingo, 23 de Julho de 2006

Da Sucursal

Pedro Cunha


A cena de homens capturando animais de rua com laço, para transportá-los na caçamba de uma caminhonete até um local de confinamento ou mesmo sacrifício já não acontece mais em Praia Grande. Símbolo de sofrimento dos bichos, a tradicional carrocinha foi aposentada definitivamente na Cidade, com a implantação de uma nova filosofia para controle da população de cães e gatos abandonados, pelo Centro de Controle de Zoonose (CCZ).
Prova dessa aposentadoria está no estacionamento do Litoral Plaza Shopping, onde duas caminhonetes adaptadas, que até recentemente serviam para a captura de animais, aguardam para serem leiloadas, junto com outros veículos antigos da frota municipal. Em um deles, de placa BNZ-6925, o chão e as paredes ruídos são prova do desespero dos cães para tentar fugir. No Pátio Municipal, um terceiro caminhão, ainda mais desgastado, vira sucata.
O fim da carrocinha foi confirmado esta semana pelo chefe da Divisão de
Controle de Zoonoses de Praia Grande, Ozório Gonçalves Júnior. Segundo ele, esta mudança no sistema de controle dos animais de rua só foi possível a partir da execução de um mutirão de castração de cães e gatos, promovido na Cidade em parceria com a entidade de proteção animal Amigos do Bicho.

O sucesso da campanha Castração: Um Ato de Amor e Responsabilidade foi tamanha que, de acordo com Gonçalves Júnior, Praia Grande lidera este ano o ranking do Estado de número de esterilizações de animais, superando até mesmo a Capital Paulista. ''Somando-se os dados do mutirão com outros serviços de castração oferecidos no Município, chegamos perto de três mil cães e gatos esterilizados de janeiro para cá''.
Ele conta que este dado chamou a atenção de outras Cidades e da própria Secretaria de Estado da Saúde, durante o último evento sobre o setor. ''Para o tamanho de Praia Grande, é um número muito elevado. Mas foi isso que permitiu uma mudança na estrutura de apreensão de animais''.


Treinamento


Gonçalves Júnior ressalta que, mesmo com a redução da população de animais de rua a partir dos mutirões, o problema de abandono canino e felino não será solucionado de uma hora para a outra. ''É preciso que a comunidade também mude de filosofia, assumindo uma posse responsável''. Enquanto isso não ocorre, ele avalia ser inevitável a apreensão de animais. Porém, agora o serviço será feito com uma proposta totalmente diferente da antiga, a começar pelo método de captura. Segundo Gonçalves Júnior, os funcionários da Zoonose passam por um treinamento chamado de Formação de Oficial de Controle de Animais (Foca), que ensina como recolher o bicho sem uso de laço, cambão - uma corda presa a um cano de ferro longo - ou qualquer outra técnica traumatizante. ''O animal é atraído com calma pelo funcionário e colocado em um veículo adaptado e confortável, nos moldes dos táxis-dogs utilizados por pet shops'', afirma o chefe do setor, revelando que uma perua do tipo Van já está sendo preparada para tal serviço, pela Secretaria de Gestão do Patrimônio (Segep).


Sacrifício


Outro fato importante é que não há mais sacrifício de animais saudáveis. ''Os cães e gatos apreendidos são castrados e tratados, aguardando dez dias na Zoonose para possível doação. Se isso não ocorre, são devolvidos para o local de onde foram retirados'', assegura Gonçalves Júnior, salientando que, geralmente, estes bichos são conhecidos e amados pelos moradores da região onde vivem. Com este conjunto de mudanças no setor, ele garante que o número de eutanásias caiu radicalmente no Município. ''Um animal só é sacrificado aqui se estiver em estado terminal, agonizando. Temos dois veterinários que analisam cada caso e buscam ajudar o bicho de todas as maneiras possíveis. Se não tiver solução, fazemos o sacrifício de forma indolor, para proporcionar ao animal uma morte digna''.

Leia também:
» Mutirão de castrações estimula a posse responsável

 

http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=256896&opr=104

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