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MASSACRE EM MATO GROSSO DO SUL - A China também é aqui

A matéria publicada no Correio do Estado, no dia 21, que relata a morte de 2.100 a 2.400 cães por mês devido à falta de kits para o diagnóstico da leishmaniose em nossa capital, reduzindo a população canina em cerca de 30 a 40%, causou espécie ao movimento ambiental e de bem-estar animal de todo o Brasil.

Essa desfaçatez torna evidente que, por não saberem se estão, ou não, infectados pela doença, animais saudáveis também estão sendo MORTOS por pura incompetência administrativa, contrariando o Decreto Federal nº. 24.645/34, que estabelece medidas de Proteção aos Animais, no art. 1º. que dispõe que "Todos os animais existentes são tutelados ao Estado" e no Art. 13 que rege que “As penas desta Lei aplicar-se-ão a todo aquele que infligir maus tratos ou eliminar um animal, sem provar que foi por este acometido ou que se trata de animal feroz ou atacado de moléstia perigosa”.

Para agravar a situação, em torno de 70 a 80 animais mortos por dia são jogados no lixão da Capital. No "lixão a céu aberto"?! É isto mesmo... No "lixão a céu aberto", ferindo frontalmente nossa legislação ambiental e colocando em risco dezenas de famílias que retiram dali o sustento sem nenhum tipo de proteção! É realmente lamentável constatar que aquele que deveria tutelar a vida animal, zelar pela vida humana e pelo meio ambiente é o primeiro a desrespeitar as regras.

O que chama atenção é que essa política de matança de animais não está surtindo efeito, visto que observamos o aumento número de óbitos humanos na capital nos últimos anos: foram 15 mortes confirmadas em 2004, 19 em 2005 e 13 somente nos sete primeiros meses deste ano, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde. Assim, notamos que, há muito tempo, a leishmaniose deixou de ser um problema apenas dos animais, haja vista que já ceifou, até agora, 149 vidas humanas no Estado desde 2002.

Tamanho descaso das autoridades da saúde em Mato Grosso do Sul é deveras preocupante, em face deste polêmico assunto ser debatido e denunciado há tempos, e mesmo assim nenhuma providência séria e responsável foi tomada além da matança sistemática e indiscriminada de cães, vista como única solução.

O Abrigo dos Bichos, entidade de proteção animal, tem recebido uma avalanche de repúdio à precária situação que passam os animais sul-mato-grossenses, oriunda de todas as partes do País, exigindo que políticas adequadas relacionadas ao controle populacional de animais e, conseqüente, resolução do problema, sejam adotadas.

Enquanto isso, a Lei nº. 2.990, que institui a Posse Responsável no Estado de Mato Grosso do Sul, aprovada em maio de 2005 e que contou com a colaboração direta do Abrigo dos Bichos em sua elaboração, proíbe terminantemente a matança de animais saudáveis e prevê o Conselho Estadual de Bem-Estar Animal, encontra séria resistência por parte do Poder Executivo Estadual para regulamentá-la assim como também a Lei Complementar nº. 79 (Lei do Cão), aprovada em novembro de 2005, em nível municipal.

Lamentável, senhores governador do Estado de Mato Grosso do Sul e prefeito de Campo Grande!!!

O Abrigo dos Bichos lutou e continua lutando incansavelmente pela regulamentação das citadas leis para que a sociedade sul-mato-grossense possa discutir de forma inédita o tratamento dispensado aos animais e a segurança da população. Ainda estamos esperando!!!

Com a palavra, o Ministério Público.

Maria Lúcia Costa Metello

Médica Veterinária, Advogada, Presidente da Sociedade de Proteção e Bem-Estar Animal Abrigo dos Bichos

Campo Grande, MS


“Não basta apenas gostar de animais, devemos ter coragem para usar a nossa voz em favor daqueles que não verbalizam”.

Maria Lúcia Metello

   

 


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