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24.10.2005
Vanessa Fajardo
Loba, Lobão, Nina,
Cocão e Coquinho são moradores da rua Vitor Marcelo de Castro, no
Cidade Jardim 2, em Jundiaí. Cães sem raça definida, eles foram
abandonados no local há aproximadamente um ano e juntaram-se a
muitos outros animais que freqüentemente aparecem na rua.
Sensibilizados com a situação, moradores passaram a cuidar dos
cães com água, comida, vacina e afeto.
Apesar de se revezarem nos cuidados - os bichos até já foram
castrados -, nenhum morador, de fato, adotou os animais. Nesta
semana, um vizinho, contrariado com a situação, reclamou na Seção
de Controle de Zoonoses da prefeitura.
Segundo a dona de casa Débora Fernanda Rocha Franco, 30 anos, os
moradores foram orientados por fiscais da Zoonoses a não alimentar
com água ou comida nenhum dos bichos, pois o ato faz com que eles
permaneçam no local. "Isso é, no mínimo, contraditório. A Zoonoses
faz campanhas contra maus-tratos com animais e pede para nós não
darmos nem água aos cachorros" Para mim maus-tratos não é só
chutar um bichinho; jogar restos de comida no lixo e ver um animal
passando fome em frente da sua casa para mim também é
maus-tratos", reclama Débora, que pretende registrar um boletim de
ocorrência contra a Zoonoses.
A veterinária Carmem Pierobon, que, apesar de não morar no bairro,
ajuda a cuidar dos cães, acredita que faltam consciência e punição
para quem abandona animais. "Onde está a posse responsável" As
pessoas preferem pagar por um filhote de "falso poodle" a adotar
um cão sadio adulto", afirmou Carmen, que possui quatro cachorros
e dez gatos, todos vindos da rua. A veterinária lembra que o
problema do abandono é constante na rua e que o setor responsável
"fecha os olhos para o problema".
O vereador Júlio César de Oliveira - autor da lei 6320 de 25 de
maio de 2204 que "disciplina a criação, propriedade, posse,
guarda, uso e transporte de cães e gatos" - acredita que a
situação do Cidade Jardim 2 reflete uma triste realidade vivida em
todo município. "Sou líder do PSDB e atuo na base de sustentação
(do prefeito Ary Fossen), mas infelizmente me vejo obrigado a
criticar o setor de Zoonoses, porque eles não têm cumprido seu
papel." Entre as atuações para que o problema seja minimizado,
Oliveira destaca o investimento em ações educativas, o
funcionamento do canil/gatil e a castração como forma de conter os
índices de natalidade. Enquanto nada disso é realidade, Oliveira
orienta a população a fazer denúncias por meio da ligação ao 156 e
disse que exigirá ações do poder público.
Responsável pela Seção de Controle de Zoonoses, Carlos Ozahata
disse que o foco da prefeitura não é a castração de animais e,
sim, as campanhas educativas que visam conscientizar a população
sobre a questão do abandono. O secretário municipal de Saúde, Juca
Rodrigues, afirmou que a construção do canil/gatil ficará para o
ano de 2007.
Fonte: Jornal de
Jundiaí
http://www.jj.com.br/jj2/cidades/cidades22102005-01.html
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