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Rinhas de Galo

 

AS LEIS DESTE PAÍS TEM DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

VEJAM QUE CARA DE PAU !!!

Agência Estado

 

O presidente nacional do PT, José Genoino, disse hoje que a prisão do publicitário Duda Mendonça, que assina a campanha da legenda em várias cidades e também é um dos responsáveis pela publicidade do governo federal, é assunto privado de Duda e que não interfere nas campanhas do partido.

O marqueteiro foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) ontem à noite quando participava de um evento em que eram disputadas brigas de galo no Rio de Janeiro. À polícia, Duda admitiu ser sócio da rinha. "Este é um assunto do cidadão Duda Mendonça e que não afeta em nada nem o PT nem a campanha da Marta (da prefeita licenciada e candidata à reeleição, Marta Suplicy", afirmou Genoino.

O líder petista insistiu em que ser preso por causa de briga de galo "é um problema pessoal" do marqueteiro. Genoino observou que o partido está satisfeito com o trabalho de Duda. "O Duda tem prestado um trabalho excelente como profissional de comunicação. Nós temos o maior respeito e consideração. E o trabalho dele é vitorioso", disse o petista. Genoino fez na manhã desta sexta-feira campanha para Marta Suplicy - sem a presença dela - na Vila Mariana, zona sul da capital paulista.

 

 
BRIGA DE GALO E MATKETING POLÍTICO
 
Jornal A Noticia, 28 out 2004
 
João José Leal
Promotor de Justiça (aposentado) ex-Procurador-Geral de Justiça – Professor Universitário (UNIVALI, Itajaí,SC)

Causou grande surpresa a recente prisão do marqueteiro Duda Mendonça, que tanta influência exerce sobre a imagem de políticos dirigentes de nosso País, numa rinha de galos, no Rio de Janeiro. Mais surpreendente foi sua reação aos agentes policiais, ao afirmar que freqüenta rinhas, é proprietário de galos de briga e que ninguém tem nada ver com isso, porque o problema é seu. Cremos que a questão não é tão simples assim e não se limita apenas a uma simples e isolada questão de polícia.

Tratando-se do grande mago do marketing político nacional, é preocupante que tão importante pessoa seja um aficcionado das brigas de galo. É verdade que o objetivo principal de seu trabalho é o de projetar, no imaginário de todos nós, uma boa e confiável imagem exterior de seus importantes clientes, entre eles o atual presidente da República. Mas é difícil acreditar que o grande Duda Mendonça não tenha, também, influência sobre o pensamento daqueles que recebem suas lições de como aparecer perante o público. É óbvio que o marqueteiro oficial tem influenciado, também, na escolha dos temas econômicos, políticos e sociais tratados por seus clientes.

Daí a gravidade do fato criminal envolvendo um cidadão com tamanha responsabilidade em suas mãos. Não nos parece razoável que o responsável pela campanha publicitária do atual presidente da República procure justificar sua conduta, colocando-se acima de qualquer responsabilidade criminal. O fato merece, sem dúvida, séria reflexão. Afinal, estamos em um Estado democrático de direito e ninguém pode se considerar acima da lei e da ordem, principalmente quando se tratar de uma prática indiscutivelmente censurável à luz dos valores éticos que se encontram na base de nosso sistema jurídico.

Quem já assistiu a uma briga de galo, com todo o ritual de maldade com que é encenada, sabe o quanto de sadismo existe nesse péssimo costume e nessa prática criminosa. É preciso muita insensibilidade para com o sofrimento desses animais que, obrigados a um combate fatal, fazem o sangue correr até um deles sucumbir. As aves, embora instintivamente belicosas, são adestradas desde os primeiros dias de vida para o combate até a morte nas rinhas. Os galos são submetidos a um sofisticado e interminável treinamento para o combate que os transformam em autênticas pequenas máquinas vivas de destruição do inimigo, que um dia será enfrentado no círculo da morte, o tambor situado no centro desse antro da maldade que é a rinha.

Uma rinha de briga de galos é um espetáculo macabro e perverso, diante do qual o espectador, principalmente o galista aficcionado, procura recalcar, possivelmente, seu instinto de violência e de perversidade. Uma rinha de galos é o Coliseu da atualidade, onde animais são obrigados ao sacrifício da morte, diante de um pequeno (felizmente) grupo sedento de sangue.

É preciso reconhecer que se trata de um costume que ainda persiste pela prática de uma minoria e que a considera um esporte ou uma forma de lazer. Mas não há dúvida de que se trata de um péssimo costume, pela barbárie que representa.

Por isso, a lei penal proíbe e pune criminalmente essa forma de violência humana contra animais. Desde 1941, o decreto-lei 3.688, em seu artigo 64, punia com a pena de prisão simples quem tratasse animal com crueldade. Esse dispositivo foi revogado pela atual lei 9.605/98, que define os crimes contra o ambiente, aí incluídos os crimes contra a fauna silvestre ou doméstica. O artigo 32 prevê pena de três meses a um ano de detenção para quem "praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados".

Trata-se de lei recente e que expressa valores éticos da sociedade contemporânea, não somente nacional. Tanto que a Unesco, já em 1978, promulgou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, condenando práticas como a briga de galos.


A prisão de Duda Mendonça não deve ser vista como um caso de perseguição política. Ao contrário, deve chamar a atenção das autoridades policiais e judiciárias de todo o País, principalmente, de nossa região, para a necessidade de reprimir essa prática criminal desumana e impediosa que é a briga de galos.

 

João José Leal, professor do CPCJ / Univali, promotor de justiça aposentado e ex-procurador-geral de justiça.
 
   

 


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