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Prezados amigos leitores, leiam a matéria abaixo que foi publicada em 26/09/2004 no Jornal Gazeta do Povo/Paraná e logo depois dêem especial atenção à sensível crítica/manifesto de Márcia Barreto Tenório em favor de uma vida tão delicada quanto a de um canário.

 

A trágica história de um campeão

 

DEPOIMENTO DE MARISA BORONI VALÉRIO

Cristóvão Cristiano, canário belga, castanho-avermelhado, entrou na minha vida por engano. Aos 17 anos, estudante de Comunicação, primeiro emprego, fui incumbida de cobrir uma exposição de canários, durante uma semana. Desafio vencido a duras penas, veio a recompensa inesperada. No último dia, canários julgados e premiados, o coordenador quis que eu escolhesse meu novo amigo emplumado. Atordoada no meio de centenas de gaiolas, tentei acabar logo com aquilo. Dei uma olhada panorâmica e apontei à revelia para o mais comum dos canários. Com os olhos a pular das órbitas, meu cicerone informou que aquele era, ninguém menos, que o campeão da mostra, na categoria cor e porte.

Quase morri de vergonha e ensaiei a confissão da minha escolha aleatória. Mas o homem estava convicto – e orgulhoso – de que eu fôra sua melhor aluna, capaz de identificar numa olhada o canário mais elegante da cidade.

Mal sabia ele o que nos esperava. Cristóvão Cristiano seria criado por meus pais. Minha mãe era meio desajeitada com pequenos animais, mas topou a missão. Agora, pensando bem, acho que ela tinha um brilho sádico nos olhos... Entre outras peripécias, Cris tomou banho de tanque numa tarde quente de verão e, semi-afogado, ganhou massagem no coraçãozinho, feita pelos dois indicadores de mamãe, conforme relato inacreditável dela mesma.

Mais adiante, meu canário campeão foi acometido de uma moléstia plebéia. Bicava as penas do próprio pescoço e seu criador recomendou que aplicássemos mercúrio. Mais uma senha para minha mãe que, ao pegar o passarinho na gaiola, ouviu um, digamos, “creck”. Ela quebrou uma perna do pobre e tratou de consertá-la com palito de fósforo e esparadrapo. Não daria certo de qualquer maneira, mas o detalhe bizarro foi o pezinho virado para trás. Quando aquele apêndice secou e caiu, meu canário de pedigree ficou perneta.

Naturalmente, escondi a informação como pude, mas já pensou se ele tivesse que passar a faixa na exposição de canários do ano seguinte?

Top model que não deu certo, marcado pelas vicissitudes da vida, Cristóvão Cristiano morreu como viveu. Tragicamente. Há quem sustente que se entregou à inanição, como os poetas ultraromânticos, e, enfim, se suicidou. Mas a verdade é outra. Meus pais viajaram, eu morava em outra cidade, e meu irmão adolescente se entregou ao futebol e às namoradas, descuidando da única tarefa que lhe cabia: dar água e comida ao canário. Encontrei-o uma semana depois na gaiola revirada, de perninha – e toquinho – para cima. Pobre Cris.

OBS.: A autora é editora de Economia da Gazeta do Povo e uma pessoa que assume suas mancadas.

 

 

Este foi o manifesto enviado por Márcia Barreto Tenório ao jornal Gazeta do Povo:

 

 

Envergonhada.

Foi assim, envergonhada, que passei este domingo.

Envergonhada por ver o jornal de maior circulação do Paraná - e, ironia das ironias: num caderno intitulado “VIVER BEM”!!! - se submeter à desonra de imprimir em suas páginas uma realmente “trágica história...”; mas uma trágica história de um ser que se diz humano, como Marisa Boroni Valério.

Ao contar “pitorescamente”  todas as agruras, todo o inferno em que ela e sua família transformaram a vida de Cristóvão Cristiano, nada mais faz do que expor toda a sua falta de sensibilidade, sua desumanidade, sua distância ao respeito à vida.

Sim, Cristóvão Cristiano realmente entrou em sua vida, Marisa, por engano... pois você e sua família não tem a menor capacidade de serem responsáveis por nenhum tipo de vida...

Sim, Cristóvão Cristiano, o belo campeão, laureado pelo reconhecimento de especialistas no assunto, com cor e porte para ser rei, mal sabia o que o esperava ao ser presenteado para alguém como você...

Você Marisa, só agora, pensando bem...  acha que a Sra. sua mãe tinha um brilho sádico nos olhos... pois tenha a certeza que Cristóvão Cristiano, com a altivez que sua sensibilidade lhe conferia, percebeu de imediato que o mundo que passaria a habitar era da minoria à qual você e sua família pertencem: dos seres desajustados, com doença do afeto, com egoísmo, com desumanidade, etc e etc... O mundo do deboche à dor, ao sofrimento, à vida e à morte...

Com que horror li seu relato; meu Deus, com que desprezo você trata a vida, criatura...

Então, Marisa, um osso quebrado pelas mãos de sua meio desajeitada mãe nada mais significa do que um “creck”????

Então, Marisa, um pezinho consertado com palito de fósforo e esparadrapo, nada mais é do que um detalhe bizarro????? Ah, não, detalhe bizarro foi o pezinho ter ficado virado pra trás, né?????.

E quando aquêle apêndice secou e caiu? Oh, meu Deus, o canário de pedigree da Marisa ficou perneta... nossa, que coisa interessante, né? Que “ pitoresco”, né Marisa???? Puxa, você deveria estar realmente muito ocupada para não ter feito uma festa, com direito a comes-e-bebes e garçons, tal o teu estado de euforia...

E vamos também fazer justiça a enorme preocupação que você, expondo toda a frivolidade que habita seu ser, teve com o “pobre”: já pensou se ele tivesse que passar a faixa na exposição de canários do ano seguinte? ... que desrespeito, que absurdo, que vergonha...

Ah, e uma perguntinha só pra animar: e seu irmãozinho adolescente? Sim, aquele que se entregou ao futebol e às namoradas e não deu nem água e nem alimento ao Cristóvão Cristiano durante uma semana... em que belo “monstro” adulto deve ter se transformado, heim? E você, Marisa, relatando toda esta “proeza” do maninho, com aquele orgulho característico de quem se apaixona pela própria imagem, né??? E, lógicamente, o destino, senhor dos senhores, jamais poderia lhe tirar o orgulho de ter um papel principal no “the end”  do Cristóvão Cristiano: foi você Marisa que encontrou-o, uma semana depois da fome e da sede, numa gaiola revirada pelo desespero, de perninha  - e toquinho – para cima...

Foi a derradeira chance Marisa, que o senhor dos senhores lhe deu para tentar despertar em você o que não estava adormecido, pois simplesmente não existia: o respeito à vida!!!

Você está enganada: não foi o Cristóvão Cristiano  o top model que não deu certo... é você Marisa que como ser humano não deu certo...

Para os assassinos de homens existem as cadeias, mas para o tipo de crime do qual você se vangloria existe algo muito mais duro, muito mais severo: a lei da vida.

Marisa Boroni Valério, que pena que você, sua mãe e seu irmãozinho existem!!

 

Assinado: Marcia Barreto Tenório – Cirurgiã-Dentista

Email: marciabtenorio@hotmail.com

 
   

 


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